Onze pessoas foram presas e 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais durante a Operação Raptores, deflagrada na manhã desta quarta-feira (21), pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) com o objetivo de desarticular uma quadrilha que falsificava documentos de carretas para que os veículos de carga circulassem com excesso de peso.

No Espírito Santo foram presos um dos chefes do esquema, que mora em Viana e é dono de uma oficina, além de outros três donos de oficinas suspeitos de participarem da adulteração de estruturas de veículos de carga de forma fraudulenta, e de um empresário que emitia laudos falsos sobre a situação dos veículos. 

Na Bahia houve seis prisões. Já em Minas Gerais, três suspeitos de envolvimento no esquema foram presos. Uma pessoa da Bahia e outra de Minas estão foragidas.

De acordo com o MP-ES, as investigações identificaram 579 carretas com a estrutura adulterada e 151 delas com a autoria da fraude comprovada. As alterações nos veículos aconteciam em quatro oficinas mecânicas do Estado: duas em Viana, uma em Linhares e uma em Cachoeiro de Itapemirim.

Investigações

As investigações tiveram início em 2017, após suspeitas de roubos de carga. De acordo com as apurações, os veículos tinham capacidade de carga aumentada de forma clandestina e sem passar por critérios e exigências dos órgãos de fiscalização, levando risco para a estrada. Essas alterações afetavam partes importantes dos veículos como freios e pneus.

A quadrilha usava eixos de carretas envolvidas em acidentes, já desgastados, para fazer a adulteração. Em um dos casos, um reboque de carro de passeio, feito para carregar 300 quilos, foi adulterado para ser usado em uma carreta, transportando 35 toneladas.

Segundo os agentes, os veículos adulterados se envolveram em dezenas de acidentes com mortes em rodovias federais, estaduais e municipais. A ocorrência de maior gravidade foi Espírito Santo onde uma carreta que transportava rocha ornamental se chocou com um ônibus e causou a morte de 23 pessoas na BR 101, em Guarapari.

"Essas adulterações faziam com que os veículos perdessem algumas características, tanto em relação à segurança deles, como freio, em relação as estruturas, que não eram preparadas para aguentar mais peso, e também faziam com que o condutor perdesse a dirigibilidade do veículo, ou seja, o próprio veículo fazia com que ele ou fosse para fora da pista ou invadisse a contramão. Temos diversos acidentes de veículos que invadiram a contramão, causaram colisões frontais, com mortes tanto do condutor desse veículo pesado, quanto de ocupantes de outros veículos", explicou Wylis Lyra, superintendente da PRF.

Adulteração

Segundo o promotor de Justiça e coordenador do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPES, Os veículos tinham a estrutura mudada em oficinas mecânicas do Espírito Santo sem a autorização de órgãos fiscalizadores e sem inspeção. Em seguida, a documentação desses veículos era enviada para ser regularizada fraudulentamente nos Departamentos de Trânsito dos Estados de Minas Gerais e da Bahia por servidores recebiam propina.

"Esses caminhões não passaram por nenhuma certificação por institutos especializados nessas verificações. Neles eram usados eixos adulterados, adquiridos em ferros velhos e de veículos de origem ilícita, alterando a capacidade de peso do caminhão de forma drástica. Eles buscaram servidores públicos de Minas Gerais e Bahia, pagavam uma propina, e lá inseriram as informações falsas em documentos válidos e encaminhavam para o Espírito Santo para que o veículo pudesse trafegar", explicou Bruno Simões.

Investigações prosseguem

Essa foi a primeira fase da operação e as investigações continuam. Uma nova fase da operação vai investigar os donos dos veículos que pagaram para ter o veículo adulterado pela quadrilha. Nessa nova fase da operação, o trabalho será em conjunto com o órgão de trânsito do Espírito Santo (Detran-ES) para identificar caminhões que passaram por modificação.