Belo Horizonte tem potencial para gerar R$ 2,3 bilhões por ano no mercado de recicláveis, mas todo esse dinheiro vai parar literalmente no lixo. Cerca de 340 mil toneladas de papel, vidro, plástico e metal, materiais considerados “ouro” no mercado da transformação, são soterrados junto com os resíduos comuns a cada período de 365 dias. 
 
O desperdício tem uma explicação simples. Apesar de a capital manter duas modalidades de coleta seletiva (porta a porta e ponto a ponto), o serviço ainda é tímido, chegando, uma vez por semana, a apenas 34 dos 487 bairros da cidade – abrangência de 7%. Apenas 0,4% desse material nobre descartado pelo belo-horizontino é efetivamente reciclado e transformado em renda para empresas especializadas no reaproveitamento e para associações de catadores.
 
Nem a Central Cooperativa Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis (Redesol), que congrega sete associações no Estado, nem a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) souberam informar o volume específico de cada material (papel, vidro, plástico e metal) que é recolhido. 
 
O cálculo aproximado do “prejuízo” feito pelo Hoje em Dia considerou uma fatia de 25% para cada um deles na pilha de 340 mil toneladas anuais. Com base no preço médio de reaproveitáveis praticado no mercado, chegou-se ao montante bilionário. 
 
Também foram levadas em conta informações fornecidas pelo Compromisso Empresarial Pela Reciclagem (Cempre), organização que incentiva projetos de reciclagem no Brasil. Sendo assim, a renda diária seria de R$ 513 mil em papel e papelão, R$ 4,7 milhões em metal, R$ 950 mil em plástico e R$ 247 mil em vidro.
 
Ironicamente, a prefeitura paga caro para levar o lixo (inclusive o reciclável) para ser aterrado em Sabará (RMBH). 
 
Cada tonelada transportada até o município vizinho custa R$ 42,70. A economia anual seria de R$ 14,6 milhões caso a reciclagem fosse de 100% na capital. Do ponto de vista ambiental, ainda aumentaria a vida útil do aterro. 
 
“Menos de 1% ou um pouco mais de 1% de reciclagem é quase nada de recuperação. Isso não representará jamais expressivo aumento de vida útil dos aterros ou retorno econômico significativo ao erário municipal”, afirma o professor de engenharia civil da PUC Minas Hiram Sartori, mestre em saneamento e meio ambiente.
 
Sartori destaca que o cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, esbarra na dificuldade de ampliar a coleta seletiva e gerar trabalho e renda com a reciclagem. Segundo a SLU, as cooperativas de catadores estão no limite da capacidade.
 
O programa BH Metas e Resultados 2013-2016 prevê ampliação da cobertura dos serviços de coleta seletiva para 60 bairros, no modelo porta a porta. Prevê também mais 112 pontos de entrega voluntária de lixo reciclável nas nove regionais, totalizando 200.