Pelo menos uma parte do ouro roubado do terminal de cargas do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, no Estado de São Paulo, foi extraído em solo mineiro. É que dentre o montante roubado - 718,9 quilos de ouro, o que equivale a mais de R$ 100 milhões - estava o ouro da empresa canadense Kinross Mineração, sediada em Paracatu, no Noroeste de Minas. 

Ali, a mineradora opera na chamada Mina do Ouro, além de ter escritório em Belo Horizonte. É uma das maioras produtoras de ouro do Brasil, sendo responsável por 22% da produção nacional.  A produção de ouro na cidade mineira chega a 17 toneladas por ano. 

A assessoria da empresa não informou o valor que foi roubado por medidas de segurança. Mas explicou que a carga de ouro estava no terminal porque estava "em trânsito para terceiros" no dia do crime. 

"A expectativa é que o valor do ouro pertencente à Kinross seja coberto pela seguradora de nosso provedor de transporte. Investigações estão sendo conduzidas pelas autoridades brasileiras a respeito do incidente. Isso é tudo o que podemos confirmar até o momento", conclui a empresa. 

O provedor de transporte a que a Kinross se refere é a companhia norte-americana de logística de valores Brinks. Procurada pela reportagem, a assessoria da empresa informou que não comenta sobre valores de carga ou clientes, mas disse que o roubo em Guarulhos motivou a interrupção temporária de suas operações "em determinados aeroportos e em casos específicos". "Essa decisão tem como objetivo preservar a segurança dos valores transportados, a segurança de todas as pessoas envolvidas na atividade e a viabilidade da operação", disse.

O roubo

No último dia 25, uma quadrilha utilizou veículos clonados com identificação da Polícia Federal para entrar no terminal de cargas do Aeroporto de Cumbica, onde a carga de ouro seria embarcada em uma aeronave. Eles levaram quase 720 quilos de ouro em uma ação orquestrada envolvendo ainda veículos blindados com placas falsas e sequestro de parentes de um funcionário da transportadora. Ninguém ficou ferido na ação.

Ao todo, eram 31 malotes de ouro que tinham destino aos aeroportos JFK, em Nova York, nos Estados Unidos, e de Toronto, no Canadá. Até esta terça-feira (30), três suspeitos de participarem do roubo foram presos. 

Segundo a Polícia Civil de São Paulo, entre os detidos estão o encarregado de despacho do aeroporto, que alegou ter sido mantido refém pela quadrilha, e um conhecido dele que teria sido convidado para participar da ação. O terceiro homem foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo e, com ele, a polícia apreendeu um carregador de calibre 7.62, municiado com 31 projéteis. 

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