Não é que a polícia não esteja agindo, mas é grande a sensação de insegurança na Região Metropolitana de Belo Horizonte, neste momento. A população está vivendo um outono frio e inquieto. Na madrugada de terça-feira, três homens armados invadiram um apartamento no bairro Vila da Serra, em Nova Lima, num prédio de alto padrão, depois de dominar na rua a proprietária e, no condomínio, um funcionário.

Permaneceram no apartamento por duas horas, com outros moradores na mira de revólveres, e fugiram em dois carros da família, levando a proprietária e o funcionário, mais joias e eletrodomésticos. Os reféns foram encontrados vivos pela polícia no porta-malas de um dos carros, no distrito de São Sebastião das Águas Claras.

Enquanto policiais tentam localizar esses ladrões, o delegado Samuel Neri dava entrevista coletiva, na manhã de ontem, para confirmar que as autoridades estão agindo para reprimir o crime e, em alguns casos, com sucesso. O policial apresentou três homens presos na véspera depois de tentarem assaltar um prédio no bairro Santa Lúcia e entrarem em duas casas no Belvedere. “Eles usavam de uma violência extrema”, descreveu Neri, acrescentando que eles já foram reconhecidos por 22 vítimas de oito assaltos em Belo Horizonte, nos últimos três meses. Um dos assaltantes disse que roubava “porque a sociedade não dá oportunidade”. A polícia caça mais dois membros da quadrilha.

A sociedade, se pudesse, não daria oportunidade a roubos, jamais ao trabalho honesto. Mas ela tem sido intranquilizada também por outros motivos. Entre eles, porque seu direito de ir e vir tem sido repetidamente impedido por quem se julga no direito de atravancar o trânsito por qualquer motivo. Ontem mesmo, cerca de 1,4 mil servidores municipais que decidiram entrar em greve durante assembleia, se concentraram em frente à prefeitura de Belo Horizonte, para reforçar o pedido de aumento de 22% nos salários, entre outras reivindicações. Pode-se discutir se elas são justas, mas nada justifica que parem o trânsito na mais movimentada avenida da cidade, para reivindicar.

O prefeito Marcio Lacerda, que parece acreditar não dever nenhum outro reajuste salarial, conseguiu na Justiça medida liminar proibindo que manifestantes ocupem mais de um terço das pistas das avenidas, durante os protestos, sob pena de seus sindicatos pagarem multa diária de R$ 100 mil. A ver, se medidas como essa resolvem o problema do resto da população.