O clássico mineiro que terminou com vitória do Atlético e classificação do Cruzeiro para a semifinal da Copa do Brasil foi tenso e marcado por confusões. Se dentro do campo houve duas expulsões, cusparadas, objetos arremessados no gramado e provocações dos jogadores celestes após o apito final, o pós-jogo foi ainda mais violento.

De acordo com a Polícia Militar, o ônibus que transportava a delegação estrelada foi apedrejado na avenida Silviano Brandão, no bairro Horto, Leste de BH. Pelo menos dois integrantes da comitiva foram atingidos e sofreram ferimentos leves. Os militares que faziam o comboio revidaram e dispararam tiros de borracha. 

Na região da Savassi, Centro-Sul da capital, houve duas brigas generalizadas entre atleticanos e cruzeirenses. Pelo menos quatro pessoas foram agredidas, mas, conforme a PM, ninguém foi detido. Na ocorrência, do Horto, um homem também ficou ferido na região genital.

Ataque

O ataque ao ônibus do Cruzeiro aconteceu por volta das 23h, na altura do número 2.999 da Silviano Brandão. O coletivo seguia para a Toca da Raposa II, na região da Pampulha, quando foi alvo de torcedores do time rival. A agressão aconteceu quando o ônibus passou em frente a um bar que exibia no telão as cenas da partida. Vários atleticanos estavam no local.

Alguns, conforme a ocorrência, pegaram garrafas, pedras e pedaços de pau e arremessaram em direção ao veículo. A PM informou que duas viaturas do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam) faziam o comboio do time, e os policiais revidaram disparando tiros de borracha.

Ainda de acordo com a corporação, não foi possível parar as viaturas para prender os suspeitos ou ver se alguém havia sido ferido por questão de segurança. O comboio prosseguiu até a Toca, onde foi constatado que a janela lateral do lado esquerdo foi quebrada pelos vândalos. Um médico e um preparado físico ficaram feridos, mas as lesões foram leves.

Diferente do que disse a PM, o Cruzeiro informou, por nota, que nenhum integrante da delegação sofreu ferimentos. "O Cruzeiro Esporte Clube lamenta e repudia qualquer ato de vandalismo desta natureza e enfatiza que a classificação foi decidida dentro das quatro linhas, prevalecendo sempre o respeito entre os adversários, independente do resultado ao final do jogo".

Posteriormente ao fim da escolta, a PM foi acionada até o Hospital da Unimed, onde um atleticano de 31 anos estava sendo atendido. Ele disse que, durante o confronto dos torcedores com os policiais, foi atingido na região genital, mas não soube informar de onde partiu a agressão. O homem reclamou que não foi socorrido pelos militares e foi orientado a procurar a corregedoria da corporação para fazer a queixa.

Briga generalizada

Na Savassi, o confronto aconteceu em um bar que fica na rua Fernandes Tourinho, por volta de 1h40. No local, segundo relato da PM, houve duas brigas generalizadas em sequência. Em uma das confusões, pai e filho, de 24 e 44 anos, além de uma mulher, de 26 anos, foram agredidos com socos no abdômen e rosto. Um outro rapaz já havia fica ferido numa briga anterior. 

Todas as vítimas da violência eram atleticanas, mas, conforme relato de pessoas que estavam no local, a confusão aconteceu depois que um deles questionou a presença de um cruzeirense no estabelecimento. Ninguém foi preso e o trio agredido dispensou atendimento médico.

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