Além das pessoas com mais de 60 anos de idade e as portadoras de doenças crônicas, quem está acima do peso também deve ter cuidado redobrado para não ser infectado pelo novo coronavírus. De acordo com um estudo publicado pela Agência de Saúde do Reino Unido no sábado (25), o paciente com sobrepeso tem 40% mais risco de morrer de Covid-19.

O alerta chega no dia da confirmação da morte do jornalista esportivo dos canais Globo e SporTV Rodrigo Rodrigues, de 45 anos, que contraiu coronavírus há cerca de 15 dias e acabou não resistindo a complicações médicas. O comunicador tinha obesidade.

De acordo com o Ministério da Saúde, 19% da população brasileira é obesa e 55% está acima do peso ideal. Para saber se está com sobrepeso ou obesidade, a pessoa deve calcular Índice de Massa Corporal (IMC), que é a divisão entre peso por altura. Se o valor for acima de 25, há uma indicação de que o peso está fora do ideal. Caso o IMC seja maior que 30, é enquadrado como obesidade. Acima de 40 indica um caso grave. Veja como calcular sua massa corporal

“Quando se vê os pacientes hospitalizados com Covid-19 com idade inferior a 60 anos, percebe-se uma quantidade razoável de pessoas acima do peso”, afirma o infectologista e professor da UFMG Dirceu Greco.

Segundo ele, há diferentes explicações para o fato de sobrepeso e obesidade estarem relacionados à mortalidade por Covid. “A obesidade interfere na resposta imunológica do corpo. Além disso, a pessoa obesa tem mais riscos de ter hipertensão e diabetes, muitas vezes esses fatores estão associados”, explicou o infectologista, que é também presidente da Associação Brasileira de Bioética. “Também é sabido que a obesidade mantém um nível crônico de inflamação e isso acaba sendo importante na evolução da doença”, explica.

Para o médico, não é mais possível se falar em isolamento de grupos considerados de risco (como idosos e portadores de doenças crônicas), pois há um grande número de pessoas que podem sofrer com sintomas mais graves da Covid, especialmente aquelas que nem chegaram a ser diagnosticadas com alguma doença crônica. “A principal vulnerabilidade é social. Há um grande número de pessoas sem acesso mais básico de saúde, que não fez um tratamento de doenças crônicas antes da pandemia”, completa.

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