Pessoas que tiveram Covid-19 ainda podem apresentar fragmentos do novo coronavírus no organismo por até três meses. O quadro, porém, não significa que elas continuam, de fato, doentes, afirmam especialistas. Após o décimo dia dos sinais da enfermidade e mais 24 horas sem apresentar sintomas, os pacientes já não estariam mais transmitindo a doença.

Pelo menos é o que definiu o Centro de Controle de Doenças de Atlanta (Estados Unidos) e tem sido adotado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, destaca o infectologista Carlos Starling. “São fragmentos que não são necessariamente o vírus em si, mas partes dele”, explicou o médico. 

Casos do tipo têm sido comuns. Exemplo é o argentino Paulo Dybala, que joga no futebol italiano. Diagnosticado com Covid-19 em 21 de março, em um período de 47 dias ele fez quatro exames que deram positivo. Só em 6 de maio o atleta anunciou que, finalmente, estava livre da carga viral: o novo teste deu negativo.

Carlos Starling, que também é membro do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Belo Horizonte, destaca que o vírus demora a “desaparecer” do organismo porque ele é fagocitado (destruído) pelos macrófagos (espécie de células de defesa), no processo de regeneração dos tecidos das vias aéreas lesados pela infecção. 

Nessa região, eles costumam a ficar durante muito tempo. “Então, ao se captar amostras ali, os fragmentos (virais) também são detectados”, explica o infectologista.

Estudos

O assunto tem sido bastante estudado tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Ainda não dá para cravar se os fragmentos podem contribuir para uma reinfecção, como se chegou a cogitar na época que o jogador Paulo Dybala viveu a angústia de permanecer com o novo coronavírus no corpo.

Para o infectologista Unaí Tupinambás, com os estudos existentes hoje é pouco provável que uma pessoa seja reinfectada. Mas os sintomas relacionados à doença, como cansaço e perda de olfato, podem persistir na chamada Covid Longa (Long Covid, nos EUA), como o Hoje em Dia mostrou na edição de 20 de julho.

Orientações

Em 27 de maio, a Organização Mundial de Saúde (OMS) liberou um documento com orientações a fim de verificar até qual período o vírus ficava vivo no organismo humano. A ideia era, por meio da coleta diária das amostras de pacientes infectados, pelo exame PCR, detectar a capacidade de replicação do vírus, que possibilita a contaminação de outras pessoas.

Integrante do Departamento de Pesquisas do Grupo Iron, a médica Ana Carolina Cheuhan, as análises identificaram que o vírus tinha essa capacidade até o décimo dia dos sintomas, nos casos leves da Covid-19.
Já as pessoas com estado de saúde mais grave, e que até foram internadas, o tempo máximo do vírus vivo foi até o 19º dia. Então, depois desses períodos, concluiu-se que a pessoa não era mais infectante”, frisou a especialista.

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