Mapeamento de pelo menos uma dezena de córregos, melhoria do monitoramento meteorológico e instalação de sirenes. As ações fazem parte de um pacote de intenções, anunciado ontem pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), para tentar amenizar os danos causados pelas chuvas. As medidas chegam após três pessoas perderem a vida durante os temporais da última semana, na região de Venda Nova. Porém, sem data para serem colocadas em prática.

Das propostas destaca-se uma nova tecnologia de alertas com informações mais precisas sobre as tempestades. A contratação da plataforma, disponibilizada pela Escola de Politécnica, vinculada à Universidade de São Paulo (USP), foi autorizada pelo prefeito Alexandre Kalil e é prioridade, informou o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, Josué Valadão.

Segundo ele, a melhoria é devido à necessidade de se saber qual será a potência, duração e localização dos temporais, além da direção dos ventos, o que não é possível identificar com o sistema atual. “Na quinta-feira, as informações que tínhamos não indicavam a ocorrência de chuva como a que aconteceu em Venda Nova. Precisamos aprimorar”, disse.

Placas luminosas e sirenes com sistema de alto falante serão instaladas em semáforos na avenida Vilarinho, na região, a mais afetada pelas inundações. O objetivo é avisar pedestres e motoristas para deixarem as áreas de risco.

O reforço de agentes nas vias que podem alagar também é analisado. “Mas temos que melhorar a capacitação da população, para que não adentre locais de inundação. Na quinta-feira, haviam barreiras físicas e algumas pessoas não respeitaram. Não podemos colocar um servidor público em cada esquina”, frisou o coordenador da Defesa Civil de BH, coronel Alexandre Lucas.

Diagnóstico

No entanto, as intervenções mais esperadas pelos moradores devem levar mais tempo para saírem do papel. Com o mapeamento de córregos, a prefeitura pretende elaborar projetos que evitem as cheias no período chuvoso. Os trabalhos preveem, inclusive, a criação de bacias de contenção dos cursos d’água.

No caso do córrego Vilarinho, a PBH contratará, ainda em dezembro, um estudo de alternativas que deve ficar pronto em 2019. O resultado da pesquisa apontará, conforme o secretário Josué Valadão, as obras mais indicadas para o local. 

A previsão é a de que até o fim do atual governo, em 2020, as intervenções na bacia do Isidoro, onde o Vilarinho deságua, já estejam em fase avançada.

Repercussão

Para o tenente Pedro Aihara, do Corpo de Bombeiros, as medidas anunciadas pela prefeitura são bem-vindas. “Devemos trabalhar com prevenção e redução de riscos. Obras estruturais são mais importantes para evitar a inundação, mas as medidas são válidas para não haver mortes”.

Por outro lado, Rogério Palhares, professor-adjunto do Departamento de Urbanismo da Escola de Arquitetura da UFMG, avalia as ações como “enxugar gelo”. De acordo com ele, as enxurradas em BH ocorrem por conta da urbanização da cidade, que não levou em conta questões como densidade e cuidado com o solo. 

“As obras são importantes, mas são a médio prazo. Se não rever o modo de ocupação, em todo o tempo iremos pensar estratégias de convivência com as inundações. Essas obras, além de caras, são paliativas”. 

(Colaborou Lucas Eduardo Soares)

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