À noite, no quarto, o carinho incondicional da mãe, que passou a madrugada em claro atenta a qualquer sinal de choro ou desconforto da filha. De dia, na garagem, a dedicação do pai, que aproveitou o feriado para brincar e trazer de volta o sorriso no rosto da menina. Um dia após um simples passeio ao zoológico de Belo Horizonte terminar num hospital, a família da pequena Alice, de 1 ano e nove meses, conta que o susto passou, mas permanece indignada.


A criança estava no colo do pai, o engenheiro Luis Carlos Torres Ferreira, de 40 anos, observando o recinto dos chimpanzés, quando um dos animais atirou uma pedra e acertou em cheio a testa da garotinha. Levada ao hospital, Alice recebeu quatro pontos e foi liberada.


No apartamento da família, no bairro Cruzeiro, zona Sul da capital, Luis Carlos e a mulher, Lilian Cristina Alves Ferreira, de 34, não esconderam a revolta. “Quando ela machucou, não apareceu nenhum funcionário para nos ajudar. Não há posto de atendimento para prestar socorro”, criticou o engenheiro. “Foi um corte feio, mas poderia ter sido pior. Cabe ao zoológico garantir mais segurança aos frequentadores e pensar até na possibilidade de instalar uma tela de proteção”, acrescentou Lilian.


No zoológico, o objetivo é descobrir de onde surgiu a pedra. Segundo o diretor da Fundação Zoo-Botânica, Gladstone Araújo, uma vistoria foi feita e não se sabe se algum visitante atirou-a no local ou se é um fragmento do abrigo onde ficam os bichos. Nesta terça-feira (22), nova verificação será feita.


Com 12 anos, Lunga, o chimpanzé, é considerado dócil e nunca teve tal comportamento. Gladstone ainda garantiu que o recinto segue rigorosamente as normas estabelecidas pelo Ibama. “Existe um fosso que separa os animais dos visitantes, a uma distância de nove metros”.