O isolamento social e o frio podem ser fatores que explicam a baixa procura pela vacina contra a gripe em Belo Horizonte. De um total de 150 mil pessoas que têm direito a imunização na terceira etapa da campanha, apenas 23% procuraram os centros de saúde para receber as doses. Em Minas Gerais, a meta de 90% estipulada pelo governo também está longe de atingir ser atingida. Hoje, menos de 60% do público-alvo foi imunizado na terceira fase da campanha.

O número muito aquém do esperado preocupa especialistas, que temem por aumento dos casos e internações provocados pelo vírus da influenza. Por causa da situação - que também se estende por outros estados brasileiros -, o Ministério da Saúde prorrogou a campanha de vacinação. Agora, as doses vão continuar sendo aplicadas gratuitamente até o 30 deste mês

Referência técnica em imunização da Secretaria Municipal de BH (SMSA), Jandira Lemos reforça que a vacina não é capaz de proteger contra a Covid-19, mas é importante para desafogar as unidades hospitalares do Estado. "A pessoa protegida não vai adoecer e não vai transmitir a gripe. Estamos em um período de muito frio, em que o vírus da influenza circula. Se não vacinar, o risco de desenvolver a gripe, inclusive da forma grave, que precisa de intervenção, é alto", ponderou.

Por isso, a médica frisou que todos que integram os grupos prioritários que têm direito a vacinação procurem os postos de saúde. Nas outras duas fases da campanha, mais de 100% do público-alvo foi atingido. "Na terceira etapa estamos em 23%, mas esse número pode mudar. Tem casos de pessoas que já se vacinaram em outros grupos prioritários. Pode ter, por exemplo, um professor que tem mais de 60 anos e vacinou anteriormente", explicou Jandira. 

Contando todas as fases da campanha, a cobertura vacinal acumulada até o momento é de 72,5%, o que corresponde a mais de 860 mil pessoas vacinadas na capital. Segundo Jandira, no fim da campanha a PBH fará o balanço do público-geral que foi imunizado no município. Em Minas, a cobertura de todas as etapas da ação está em 87,37%.

Proteção

A baixa temperatura e a pandemia da Covid-19 não podem ser empecilhos para não se vacinar contra a gripe. De acordo com a referência técnica em imunização da SMSA, a pessoa deve se agasalhar e tomar todos os cuidados para evitar contágio do novo coronavírus, como o uso máscara, para ir até um dos 152 postos da capital. "As salas de vacinação são seguras e separadas das demais alas dos centros de saúde", garantiu.

Após a aplicação da dose, o corpo demora até duas semanas para reagir e criar anticorpus contra a gripe. "Como a vacina leva em torno de 15 dias para ter proteção, quanto antes se vacinar, melhor. Com dois meses ela atinge o auge da proteção. Por isso, é importante vacinar agora para passar o inverno protegido, pois é o período que o risco de transmissão é muito maior", disse.

Quem tem direito

A campanha teve três fases. Nesta terceira fase, a campanha tem como foco principal os professores de escolas públicas, pessoas privadas e adultos de 55 a 59 anos, além de deficientes; crianças de 6 meses a menores de 6 anos; gestantes e mães no pós-parto até 45 dias. 

A segunda fase teve como público-alvo indígenas, doentes crônicos, presos, funcionários do sistema prisional, agentes de força de segurança e salvamento, caminhoneiros e motorista de transporte coletivo. A primeira foi direcionada para pessoas com mais de 60 anos, trabalhadores de saúde e acamados.

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