A cada dez lares em Minas, em três ao menos um integrante recebeu auxílio governamental para amenizar os efeitos da pandemia da Covid-19, em maio deste ano. O percentual exato (35,7% das casas do Estado) faz parte de mais uma etapa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios específica para assuntos relacionados à doença (Pnad Covid-19), divulgada na tarde desta quarta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Georgrafia e Estatística (IBGE)

Conforme o levantamento, entre os benefícios recebidos estão o Auxílio Emergencial e a complementação do governo federal pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. O percentual ficou abaixo da média nacional, que foi de 38,7%, mas superior à média da Região Sudeste, que foi de 31,3%. O valor médio recebido em cada domicílio de Minas Gerais foi de R$ 795,00. 

O valor médio foi maior na Região Norte do Brasil (R$ 936,00) e menor na Região Sul (R$ 772,00). Foi também a Região Norte aquela em que houve maior percentual de domicílios que receberam algum auxílio (55%). 

A pesquisa revela também que, em todo o país, 19,0 milhões de pessoas estavam afastadas do trabalho que tinham na semana de referência e que 51,3% delas (9,7 milhões) estavam sem a remuneração do trabalho. Em Minas Gerais, das 1,773 milhões de pessoas afastadas, 864.000 (48,7%) deixaram de receber remuneração. Na Região Sudeste, eram 4,2 milhões de pessoas afastadas do trabalho, sendo que 50,9% delas não tiveram remuneração,

Dificuldade de acesso a emprego

A Pnad Covid-19 estimou ainda que, em maio, 1,37 milhão de mineiros não conseguiram procurar emprego por causa da pandemia de Covid-19 ou por falta de oportunidade na região em que vivem. No mesmo período, outros 1,078 milhão estavam desempregados e buscaram ocupação, mas não encontraram. Com isso, o estado alcançou a marca de 2,4 milhões de pessoas que queriam um emprego, mas enfrentaram dificuldades para se inserir no mercado de trabalho, seja por falta de vagas ou receio de contrair o novo coronavírus.

O Instituto informa também que 9,26 milhões de pessoas estavam ocupadas no Estado, em maio, embora 17,56 milhões estivessem em idade para trabalhar. Isso significa que 52,7% estava trabalhando no mês passado. No Brasil, havia 84,4 milhões de pessoas ocupadas e 169,9 milhões em idade para trabalhar, ou seja, menos da metade (49,7%) estava trabalhando naquele mês.

Além disso, Minas Gerais tinha 33,2% das pessoas ocupadas trabalhando na informalidade, ou seja, empregados do setor privado sem carteira; trabalhadores domésticos sem carteira; empregados que não contribuem para o INSS; trabalhadores por conta própria que não contribuem para o INSS; e trabalhadores não remunerados em ajuda a morador do domicílio ou parente.

Sintomas gripais

Por fim, a Pnad Covid-19 estimou que, em maio, 2,353 milhões de pessoas no Estado (ou 11,1% da população mineira) apresentaram algum dos sintomas pesquisados de síndromes gripais (perda de cheiro ou de sabor; ou tosse e febre e dificuldade para respirar; ou tosse e febre e dor no peito). A identificação de ter ou não apresentado o sintoma é feita pelo morador do domicílio e que não se pressupõe ter um diagnóstico médico, ou seja, os sintomas são referidos pelo morador. O percentual ficou um pouco abaixo da média nacional, que foi de 11,4%.