Taxar o transporte individual e tornar mais caro o serviço prestado por aplicativos, receitas das prefeituras e recursos da exploração de estacionamentos públicos e privados. Essas são algumas apostas de representantes do setor para aliviar o bolso dos passageiros em todo o país.

“Seria uma boa medida se mudássemos a política tarifária adotada no Brasil, criando a subvenção. Assim, estaremos fazendo o que o resto do mundo faz. Onde tem transporte público de qualidade, a tarifa é paga por todas as pessoas que usam e as que não usam o sistema”, frisa Otávio Cunha, presidente-executivo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

Em debate

As alternativas para redução do preço dos bilhetes no país pautaram audiência pública no Senado, em setembro passado. Entre as propostas apresentadas, recursos extra-tarifários. A verba, segundo os participantes, viria de um fundo específico ou de desoneração tributária para o setor.

Questionada pelo Hoje em Dia sobre subsídios para o transporte coletivo, a Prefeitura de BH não se manifestou.

Mais caro

Ainda durante os debates no Senado, encarecer o transporte individual foi apontado como estímulo para crescer a demanda pelo transporte coletivo. Como consequência, destaca Otávio Cunha, o valor diminuiria consideravelmente. “Aí sim teremos um serviço de qualidade”.

Na reunião, técnico de Planejamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos Henrique de Carvalho disse que os bilhetes poderiam ficar 30% mais em conta se a gasolina fosse taxada em R$ 0,10 e aumentasse 10% e 9%, respectivamente, os impostos sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Territorial Urbano (IPTU).

Confira, abaixo, entrevista com o presidente-executivo da NTU:

Por que as tarifas dos coletivos são tão caras no país?
Otávio Cunha: Elas estão caras para quem paga e insuficientes para remunerar um serviço melhor, de boa qualidade, para as empresas, porque os investimentos em infraestrutura para dar prioridade ao transporte público não foram feitos nos últimos 20 anos. Por isso há uma queda de demanda, o ônibus deixou de ser atrativo para as pessoas e isso tem encarecido o preço das passagens no país. O ideal seria trazer de volta os passageiros que deixaram de utilizar o transporte público e permitir a redução dos preços das tarifas pagas. 

Que avaliação o senhor faz sobre os preços cobrados em BH?
Existem passagens no Brasil mais caras do que em Belo Horizonte. Em São Paulo, por exemplo, o usuário paga R$ 4,40, mas o que empresários recebem como remuneração pelo serviço prestado é R$ 7,26, porque lá tem o subsídio. Em Brasília, o valor da tarifa de remuneração do serviço é de R$ 5,25. No caso da capital mineira, se houvesse subsídio, com certeza as passagens seriam mais baratas. Agora, é preciso levar em consideração que Belo Horizonte é uma das três cidades brasileiras que têm melhor serviço de transporte no país, ao lado de Curitiba e São Paulo. Quando você tem um transporte de melhor qualidade, este tem um custo mais elevado.