Pais de alunos matriculados em escolas da capital devem ficar atentos. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte (Sind-Rede BH), as paralisações que começaram nessa terça-feira (6) devem continuar até a sexta-feira (9) e afetar desde algumas áreas específicas como todo o funcionamento das escolas.

Vários trabalhadores terceirizados alocados em instituições de ensino da capital cruzaram os braços na terça contra a substituição proposta pelo Ministério Público do Trabalho através de um concurso da MGS. Segundo Thiago Ribeiro, um dos diretores do Sind-Rede BH, a ação significaria a perda do emprego para cerca de 5 mil funcionários. "São pessoas com idade avançada, com mais de 20 anos de trabalho no mesmo local, que depois teriam dificuldade para se recolocarem no mercado", justificou.

Os membros do sindicato se reuniram em assembleia nesta quarta-feira (7) na Praça da Estação, de onde seguiram em passeata para a Câmara Municipal de Belo Horizonte para uma audiência com parlamentares. A expectativa é de que as atividades retornem ao normal na sexta. Mas, nesta quinta (8), todas as 325 escolas da rede devem sentir o impacto da mobilização.

A reivindicação dos trabalhadores à prefeitura é que a convocação dos aprovados no concurso se dê de forma escalonada, convocando primeiro para vagas que estão abertas por demissões por justa causa, demissões voluntárias e aposentadorias; depois, que os funcionários já alocados sejam convocados para suas próprias vagas; e que, em 2021, os cerca de 5 mil que não fizeram ou não foram aprovados no concurso tenham uma nova oportunidade. 

Surpresa

A Secretaria Municipal de Educação, por sua vez, declarou que tem feito o possível para evitar a perda dos postos de trabalho dos terceirizados. Segundo a secretária de Educação, Ângela Dalben, a paralisação foi recebida com surpresa na pasta. "Todos assinamos [a PBH, o MPT e o Sindicato] sem ressalvas um acordo, na segunda-feira, que prevê a prorrogação do prazo de substituição dos trabalhadores pelos aprovados em concurso, então, para nós, esse movimento não procede porque o próprio sindicato assinou o acordo", afirmou.

Ribeiro, no entanto, afirmou que o sindicato participou da reunião apenas como convidado por não ser parte da causa. "A prefeitura tem, sim, muitos acordos com várias causas da categoria, mas na segunda-feira simplesmente aceitou o que o MPT impôs", disse.

Em entrevista ao Hoje em Dia, Ângela ressaltou que a PBH está de mãos atadas no caso e tem feito de tudo para amenizar os impactos das substituições. Para a secretária, o acordo de prorrogação foi muito importante e, agora, a pasta negocia que as substituições comecem apenas em dezembro deste ano para não interferir na rotina das escolas e nem no trabalho dos funcionários. "Estamos ao lado do trabalhador, e temos tentado de todas as formas, dentro da legalidade, mas não podemos ir contra um órgão fiscalizador [MPT]", concluiu.