A Universidade Federal de Viçosa (UFV) plantou, entre março e abril, cerca de 70 mil mudas de eucalipto melhoradas geneticamente e altamente tolerantes à seca em 60 hectares de regiões tidas como muito áridas no Norte de Minas e da Bahia. O projeto, desenvolvido desde 2017 em parceria com 15 empresas brasileiras do setor florestal, é considerado o maior do mundo na área para essa espécie. 

De acordo com a UFV, as mudas foram plantadas em locais que já sofreram perdas expressivas devidas às variações climáticas. O projeto “tolerância à seca de eucalyptus” busca produzir 750 novas variedades híbridas, que posteriormente serão clonadas e patenteadas.

A parceria teve início após a constatação de grandes prejuízos ao setor florestal, percebidos após as secas de 2012 e 2015 no Sudeste brasileiro. Em Minas, que tem cerca de 1,5 milhões de hectares (a maior no país), 10% dos plantios foram perdidos. Segundo a UFV, a instituição foi procurada para selecionar os melhores clones para déficit hídrico do mercado e, a partir deles, criar variedades ainda mais tolerantes a eventos extremos de seca.  

Segundo o coordenador do projeto e professor do Departamento de Engenharia Florestal da UFV, Gleison Santos, a parceria envolveu muita negociação e confiança para que cada empresa entregasse seus melhores materiais genéticos em prol do desenvolvimento do setor no enfrentamento das variações climáticas. 

“Agora vamos avaliar o crescimento das plantas e analisar quais as melhores variedades para as diferentes necessidades das empresas e regiões bioclimáticas do país”, explicou Gleison, explicando ainda que uma única variedade pode reunir até quatro diferentes espécies de eucalipto .

Enquanto isso, pesquisadores na UFV continuarão a fazer cruzamentos controlados para melhoramento genético que deverão gerar outras 500 variedades até 2021. 

Ainda segundo a UFV, o financiamento das empresas para o projeto gerou melhorias importantes nos viveiros experimentais do Departamento de Engenharia Florestal. Foram construídas e reformadas cinco novas estufas com alta tecnologia para colaborar também com outras pesquisas do Departamento. O projeto ainda financia dez bolsas de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutoramento. 

As patentes de todas as novas variedades serão divididas entre as empresas e a UFV. Ainda segundo Gleison Santos, as plantas poderão ser úteis também para outros países que cultivam eucaliptos em regiões muito secas.