Parte dos leitos criados durante a pandemia de Covid-19 em Minas não deverá ser mantida no cenário pós-epidemia. Na análise do governo de Minas, a expansão de unidades, tanto de UTI quanto de enfermaria, foi "bem acima" do que será a necessidade estadual em situação normal, quando a pandemia acabar.

Ao todo, o número de vagas de UTI subiu de 2.072 em fevereiro deste ano para 3.902. Já as unidades de enfermaria aumentaram de 11.625 para 21.062. 

"O que nós temos hoje é uma expansão muito grande, muito forte, bem acima do que seriam as demandas que nós temos em situações normais no Estado. Isso será avaliado progressivamente. Nós já temos equipes estudando aonde nós precisaremos manter leitos, quais seriam as características de cada leito", afirmou o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral.

Segundo o gestor, o governo de Minas tem feito reuniões com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (COSEMS-MG) e com o próprio Ministério da Saúde para a discussão do tema.

Nesses encontros, conforme Amaral, está em pauta o financiamento conjunto do funcionamento dos leitos que foram criados e que serão mantidos.

Apesar das tratativas sobre o assunto, o secretário adjunto de saúde, Marcelo Cabral, relembrou que não há data para o início da execução de medidas.

"Tudo isso que nós estamos falando é apenas em perspectiva. Estudos vêm sendo realizados em relação à política hospitalar e aos critérios assistenciais, tudo isso para o futuro. Qualquer medida, no momento, seria precipitada, já que nós nos encontramos ainda em meio a uma pandemia e sem a notícia de uma vacina", afirmou.

Estado lança Valora Minas

Ainda em coletiva nesta tarde, o governo de Minas divulgou o projeto Valora Minas, que trata da Política de Atenção Hospitalar do Estado de Minas Gerais (PAH).

De acordo com a gestão estadual, a reestruturação é focada no usuário do SUS e busca consolidar as ações e políticas de atenção hospitalar.

Entre elas, estão a atenção humanizada, a garantia de acesso universal, a equidade e integralidade no atendimento hospitalar, a concepção dos hospitais como pontos de atenção integrados e articulados à Rede de Atenção à saúde, além da organização dos fluxos assistenciais para serviços de média e alta complexidade hospitalar.

"Nossos objetivos são o aumento da qualidade, a ampliação do acesso, aumentar o giro de fila de cirurgias eletivas, regionalizar a assistência à saúde, ter mais transparência nos investimentos. Essa política trará benefícios para todo o Estado", afirmou Amaral.