Um dia após a prefeitura vetar o reajuste de R$ 0,25 na tarifa dos ônibus convencionais de Belo Horizonte, usuários do transporte coletivo comemoraram que as passagens não serão reajustadas para o ano que vem. Mas, ao mesmo tempo, os passageiros temem que as viagens sejam reduzidas.

"Os ônibus já passam lotados e, todos os dias, vamos iguais sardinhas em uma lata. Se as corridas diminuirem, será muito pior", desabafou a diarista Inês Rosa Honorato, de 58 anos. O temor dela veio após o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setra-BH) ameaçar fazer cortes nas viagens devido a negativa para o aumento das tarifas.

A entidade informou que, ainda nesta sexta-feira (20), vai à Justiça para pedir o reajuste. O presidente do Setra, Joel Jorge Pasqualin, também vai se reunir com empresários e donos das concessionárias, provavelmente no período da tarde, para traçar as estratégias que serão adotadas após o veto dado pelo prefeito Alexandre Kalil. A redução das viagens é uma das alternativas e, demissões de funcionários, também não estão descartadas.

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Usuários reclamam que ônibus já passam lotados e têm medo de impacto nas viagens

Medo

Para o operador de logística e câmera Vinícius Rodrigues de Oliveira, de 24 anos, as passagens dos ônibus já são caras e o valor pago pelo usuário não condiz com o serviço prestado. "Cobrar R$ 4,50 é um absurdo. Já tem poucos coletivos circulando e estão sempre cheios. Se aumentar a tarifa ou reduzir as viagens, seria um absurdo", declarou.

A opinião é compartilhada pela manicure Persilha Aparecida dos Reis, de 61 anos. Por dia, ela pega quatro ônibus para ir ao trabalho e relata que, às vezes, fica até 30 minutos no ponto esperando por um coletivo. "Tenho que sair de casa às 6h30 para pegar serviço às 9h, no Santo Agostinho. O número de ônibus não é suficiente. Se cortar, será pior ainda", disse.

Morador de Santa Luzia, na Grande BH, o aposentado Geraldo Ferreira dos Santos, de 64 anos, vem à capital quase que todos os dias para ir ao médico. Como considera a passagem cara, faz grande parte do trajeto a pé. "Já pesa no bolso. Não dá para desembolsar mais do que R$ 4.50 na tarifa. O salário não acompanha todos esses reajustes", observou.

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