Usuários do transporte público de BH reivindicam a criação de pontos de táxis nos terminais de ônibus. Desde a criação do sistema Move, em março do ano passado, a alternativa de deslocamento ficou restrita. Isso porque os veículos são proibidos de circular dentro das estações de transferência.

No terminal Pampulha, passageiros precisam andar 250 metros até o ponto de táxi mais próximo, na rua Irlanda, no bairro Itapoã.

A produtora Paula Simone, de 26 anos, sofre quando vai se deslocar até o terminal. “O táxi não pode me deixar e nem me buscar dentro da estação. Sou obrigada a sair, seja dia ou noite. Um perigo total”.

A universitária Thamires Lacerda, de 23 anos, defende a criação de um ponto de táxi nas estações. “Na parada de ônibus, a gente conseguia ter acesso ao táxi. Hoje eu fico atrasada porque não tenho opção de deslocamento”, conta.

Diariamente, 378 mil passageiros circulam nas sete estações de transporte público da capital. Conforme dados da BHTrans, apenas na Pampulha são 52 mil passageiros.
O funcionário público Rodrigo Leonard, de 38 anos, afirma que perdeu as contas do número de solicitações que fez à BHTrans reivindicando a circulação dos veículos dentro das estações. “Iria atender a demanda de quem necessita dessa opção de transporte”, destacou.

A empresa contesta os usuários dizendo que não há registro de pedidos sobre a implantação de ponto de táxi dentro dos terminais. A BHTrans informa que a prioridade é estimular o uso do transporte público, motivo pelo qual não há permissão para os táxis entrarem nos terminais.

O Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte (Sincavir) disse que para a criação de um ponto físico é preciso espaço para o acesso aos veículos. “Pedimos pelo menos a permissão de embarque e desembarque de passageiros ou a adaptação de um espaço”, explica o presidente do Sincavir, Ricardo Luiz Faedda. A categoria questiona a criação de 300 vagas de estacionamento para carros particulares no terminal Pampulha.
Segundo a BHTrans, as vagas devem atender aos usuários que optarem por deixar o carro na estação e seguir até o restante do percurso de Move.

Enquanto não há expectativa para criação de ponto de táxi nos terminais, o oficial de justiça Carlos Américo, de 38 anos, busca alternativas. “Ligo para cooperativa e espero na saída da estação. Mais fácil e seguro”.