Pelo menos até agosto de 2014, os usuários do metrô terão que seguir viajando espremidos nos vagões. Mesmo com o aumento da demanda e recordes de passageiros, não há previsão pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) de melhorias a curto prazo.

Para forçar a garantia de um mínimo de conforto, a Associação dos Usuários de Transporte Coletivo (AUTC) entrará com uma ação no Ministério Público para que a lotação máxima dos trens, de 1.026 pessoas, seja respeitada.

Segundo o secretário-geral da AUTC, Francisco de Assis Maciel, o processo será aprovado em um congresso a ser realizado no próximo dia 8. Na ação, se destaca a falta de respeito ao consumidor e aos direitos humanos, além das condições de insalubridade e de constrangimento.

“Queremos mais carros nos horários de pico. Não empenham toda a frota. Vagões ficam parados no pátio para economizar”, disse Maciel. Ele adiantou que a associação promoverá um protesto e pedirá à Sociedade Protetora dos Animais que defenda os usuários do metrô. “Somos tratados feito bichos”, pontuou.

Sem aproveitamento

Segundo o ex-presidente da CBTU, entre 2003 e 2007, e consultor em mobilidade urbana, João Luiz da Silva Dias, a falta de entrosamento da prefeitura com o governo federal impediu os investimentos no metrô de BH.

“Os trens contam com quatro vagões, no total de 100 metros, mas tem capacidade para até oito, pois as plataformas são de 200 metros. Fizemos a negociação para aumentar para seis vagões. Conseguimos os investimentos e chegamos a lançar o edital, mas os recursos foram para Recife”, disse João Luiz.

Para ele, não há nada a fazer para amenizar os problemas, além de agilizar a burocracia para aquisição de novos vagões e trens. “Todos os recursos são alocados em operação. São 25 trens, mas sempre há dois de reserva e outros três na manutenção. Se há aumento de demanda, se sacrifica na manutenção preventiva”, afirmou Dias.

Expansão

A expansão de duas linhas e modernização da rota existente do metrô estão orçadas em R$ 3,1 bilhões, conforme a Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas. Os serviços de sondagens foram concluídos e em abril foram iniciados os estudos de topografia e os projetos de engenharia. O prazo para a conclusão é de 12 meses.

Leia mais na Edição Digital