O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de Patrimônio Histórico, abriu inquérito para apurar os impactos da construção de uma passarela suspensa, que ligará os prédios da Fundação Forluminas de Seguridade Social (Forluz) ao da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), na avenida Barbacena, região Centro-Sul de Belo Horizonte.

A obra foi autorizada por lei sancionada pelo prefeito Marcio Lacerda em janeiro do ano passado, mas está sendo questionada junto ao MPMG pela Associação dos Moradores e Amigos do bairro Santo Agostinho (Amagost). Segundo o presidente da entidade, Rodrigo Laender, a passarela irá prejudicar as árvores do local e descaracterizar o conjunto arquitetônico da avenida, que é um dos cartões postais de Belo Horizonte. “Não queremos essa obra, o impacto é muito grande, e o beneficio é exclusivo para Forluz. Ninguém ganha com isso”, disse.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Forluz informou que não tem conhecimento do inquérito aberto pelo Ministério Público, e que a continuidade da obra depende de estudo de viabilidade econômico-financeira, que ainda será realizado. “Após sua conclusão, o resultado será encaminhado ao Conselho Deliberativo da Forluz para uma decisão final a respeito”, ressaltou.

Também por meio da assessoria de imprensa, a Diretoria de Patrimônio Cultural da prefeitura de Belo Horizonte informou que a avenida Barbacena encontra-se inserida no perímetro do “Conjunto Urbano Avenida Barbacena- Grandes Equipamentos”, mas destaca que o projeto da passarela foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte.

Histórico

A lei que autorizou a obra é de autoria do Poder Executivo. Na mensagem do projeto que originou a nova legislação, enviada à Câmara Municipal, o prefeito Marcio Lacerda destaca os “benefícios à gestão dos serviços públicos no setor de energia que o aperfeiçoamento da infraestrutura administrativa da Cemig” trará. Diz ainda que a concessão do direito de uso do espaço aéreo, para construção da passarela, vai permitir a “arrecadação de recursos a serem empregados em ações de requalificação, restauração e valorização do patrimônio cultural inserido no Conjunto Urbano da Avenida Barbacena e Adjacências”.

O inquérito do Ministério Público está em fase de coleta de informações. Posteriormente os dados serão analisados pela Promotoria de Patrimônio Histórico, que pode recomendar a não realização da obra.