A experiência internacional não se resume a falar outro idioma. A chance de morar fora abre as portas para que a pessoa possa lidar com diferentes culturas, limites, flexibilidade e adaptação. E engana-se quem acha que os programas de intercâmbio se limitam a jovens, com idade de até 30 anos. Ao contrário. As agências estão criando grupos onde o jovem não entra. Para participar, é preciso ter mais de 45 anos.

“A aula geralmente acontece pela manhã e na parte da tarde a pessoa visita museus, teatros, enfim, faz a parte cultural”, afirma Paulo Cesar da Silva Júnior, diretor da World Study, escola de intercâmbio e cultura.

Paulo Júnior é responsável pela franquia World Study em Belo Horizonte, a maior das 36 unidades da rede no país. O gaúcho, ex-intercambista, começou na área como consultor de vendas da rede. Em pouco tempo se tornou gerente e dono do próprio negócio. Há seis meses, adquiriu a segunda franquia da World Study, em Brasília. Em entrevista ao Hoje em Dia ele fala da experiência fora, expectativa em relação à Copa do Mundo e programas de intercâmbio em evidência.

Como foi sua experiência como intercambista?
Fiz intercâmbio quando tinha 18 anos na True USA, programa de trabalho no período de férias acadêmica nos Estados Unidos. Foi fantástico, onde eu me descobri. Voltei mais independente, com capacidade de saber meus limites, o que dou conta e o que não dou. Era para ficar de três a quatro meses por lá, mas estendi e fiquei seis meses. Trabalhava com subemprego, como hotéis, rede de fast-food, balconista, caixa, camareiro... Isso foi em 1999. Nas outras férias fui para o Canadá. Fiquei um mês fazendo o curso de idiomas e outro viajando de mochilão.

Qual é o perfil da pessoa que faz os cursos hoje?
O perfil está mudando. Há cinco anos quem fazia os cursos de intercâmbio era basicamente o jovem com idade entre 18 e 27 anos, de ensino médio ou universitários. Hoje, continuamos tendo esse nicho de mercado. Mas temos tido muito adultos de 35 a 55 anos. As pessoas estão notando que não tem idade para fazer intercâmbio. Os pais, que muitas vezes deram oportunidades para os filhos, começam a pensar em fazer os cursos fora também. Temos um programa para alunos com mais de 45 anos. Geralmente são pessoas que ficam três semanas. Muitas vezes têm aula de manhã e na parte da tarde visitam museus, teatros e fazem a parte cultural. O intercâmbio para jovens de 10 a 16 anos também vem crescendo.

Qual é o preço médio dos programas?
Os programas têm preços médio de R$ 8 mil para um ou dois meses. O valor inclui a passagem aérea, curso de idiomas, acomodação em casa de família e material didático.

O mercado já sente alterações em função da Copa do Mundo neste ano?
Estamos com um pouco de receio em relação ao mercado neste ano. Quando tem Copa em outro país, como aconteceu com a África do Sul, o mercado externo fica muito visado e as pessoas querem ir para fora, porque não está acontecendo nada no Brasil. Agora não. O mundo está voltado para o Brasil. O boom vai ser no Brasil neste ano. O mercado interno está em crescimento e não o internacional. Por isso, estamos com medo de queda dos números em 2014. As passagens aéreas já estão caríssimas. Mesmo quem quer viajar para fora no período da Copa não está conseguindo, pois as passagens aéreas estão muito caras. As companhias subiram os preços para junho e julho em torno de 30%.

Quais as vantagens do intercâmbio?
São muitas. É como se você vivesse cinco anos em três meses. É intensivo, todos os dias têm alguma novidade, algo acontece. As experiências são muito rápidas. A carga horária de cada mês de estudo no exterior equivale a seis meses no Brasil. Lá não é só o aprendizado em sala de aula. Há também fora de sala, que é o mais interessante, onde a pessoa vai fazer novas relações e amizades, conhecer pessoas de outras nacionalidades, botar em xeque alguns limites, senso de responsabilidade e adaptação. O intercâmbio torna a pessoa muito mais completa.

Há algum idioma em evidência hoje?
Sempre foi e continua sendo o inglês. O espanhol e o mandarim estão crescendo também.

A vivência internacional tem sido exigida nas empresas?
Outro dia eu estava fazendo uma pesquisa e peguei algumas empresas que têm o sistema de trainee. Tem a Coca-cola, a Vale, a Fiat, a Mercedes e a ArcelorMittal. Todas elas pedem, além de alguns requisitos, outro idioma fluente (que geralmente é o inglês) e experiência no exterior. Quando a pessoa vive no exterior ela põe em xeque muitas coisas, como senso de adaptação, de flexibilidade, de limite... coisas que aqui no dia a dia do Brasil não é possível. Dentro de uma organização, isso é muito importante. Na minha empresa mesmo, todos os funcionários são ex-intercambistas.