Após os pesquisadores da Universidade de Oxford pausarem os estudos da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela instituição , devido à identificação de uma suspeita de efeito colateral, o coordenador da pesquisa do imunizante chinês na UFMG afirmou, nesta quarta-feira (9), que a situação ocorrida no estudo inglês não afeta o experimento em Minas em si, mas pode gerar uma redução na adesão de voluntários, mesmo que por aqui a vacina em teste seja de outro fabricante e segue com o cronograma normal.

Até o momento, o estudo da Coronavac, candidata da biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech à vacina contra o coronavírus, já vacinou pouco mais de 500 pessoas em Minas. Ao todo, são necessários 850 participantes nessa fase do experimento, que vai até meados deste mês.

O professor Mauro Martins Teixeira, do Departamento de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, explicou que a pausa ocorrida no Reino Unido não afeta a pesquisa da vacina chinesa pois são imunizantes diferentes.

Entre as diferenças, conforme explicou Teixeira, o estudo inglês trabalha com a utilização do vírus "vivo" atenuado. Já a pesquisa chinesa, que é coordenada no Brasil pelo Instituto Butantan, de São Paulo, e testada em alguns estados, como Minas, usa o vírus inativado. 

"Não muda nada do que a gente faz, mas há um impacto porque as pessoas ficam com medo e acabam não participando [como voluntárias]. O que não deveria ocorrer, pois é um mecanismo totalmente diferente", declarou. 

Segundo Teixeira, o receio é desnecessário também porque o estudo é conduzido com total segurança. A cota para Belo Horizonte, para essa etapa da pesquisa chinesa, ainda necessita da participação de 350 voluntários. 

"Existe um recrutamento muito intenso e a gente tem vagas ainda.Quanto mais voluntários quiserem participar, melhor. Estamos conseguindo recrutar, estamos recrutando muito", afirmou.

Andamento da pesquisa

Ciente da ansiedade da população diante da data em que a vacina estará disponível para uso, Mauro Martins afirmou que o processo de verificação de eficácia do imunizante é lento e que, provavelmente, durará um ano após a testagem do último voluntário. Na prática, isso deve ocorrer após setembro de 2021.

Em Belo Horizonte, pouco mais de 500 pessoas já receberam o imunizante, sendo que parte desse público tomou a vacina propriamente dita e parte foi 'vacinado' com um placebo (sustância sem efeito). O estudo na UFMG precisa testar 850 pessoas até meados de setembro. Em seguida, deverá receber uma segunda cota de público, para novas testagens. 

Nesse processo, Teixeira pontua que podem ocorrer pausas, como a que ocorre com a vacina de Oxford, e isso influenciará na velocidade da conclusão do estudo.

"Ocorreu um efeito colateral em um voluntário entre 16 mil pessoas [em Oxford]. A gente quer que ocorra em 0. Se ocorre algo grave, tem que parar e avaliar. Mas não parece que o que aconteceu nessa vacina [inglesa] seja frequente ou que vá se repetir", declarou.

Em caso de efeito adverso, o estudo é paralisado como está estabelecido no protocolo de desenvolvimento da vacina. Segundo o especialista, os estudos são muito bem acompanhados justamente para evitar quaisquer efeitos colaterais e, caso ocorram, que os pacientes sejam tratados de forma adequada e rápida. 

"Há várias vacinas candidatas e todas são importantes. A melhor vacina será aquela que se mostrar mais eficaz contra a doença", finalizou.

Como participar?

De acordo com a UFMG, os interessados em participar da terceira e última etapa de testagem em humanos da vacina chinesa Coronavac precisam ser da área de saúde e devem atuar no combate à Covid-19. 

Além disso, ainda segundo a universidade, podem participar médicos, enfermeiros e paramédicos da linha de frente, com idades entre 18 e 59 anos, que não tenham sido contaminados pelo novo coronavírus. 

Outros critérios para participar incluem: não participar de outros experimentos; não estar grávida, nem ter intenção de engravidar nos próximos meses; não ter doenças crônicas; não fazer uso de medicamentos contínuos; ter registro ativo em conselho profissional; não ter tomado vacina nos últimos 28 dias.

A manifestação de interesse voluntário deve ser feita ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos, pelo telefone (31) 97171-2657, pelo e-mail profiscovbh@gmail.com ou pelo site do governo de São Paulo.

Ao todo, 9 mil pessoas participarão da testagem em todo o país.