A omissão do poder público quanto ao destino dos fícus devastados pela praga da mosca-branca, em Belo Horizonte, representa risco de acidentes. A prefeitura alega impossibilidade de remover o que resta das árvores centenárias nas avenidas Bernardo Monteiro, no Santa Efigênia (Leste), e Barbacena, no Barro Preto (Centro-Sul), por depender da liberação do Ministério Público Estadual (MPE).

No domingo, um galho de 8 metros despencou na Bernardo Monteiro e por pouco não atingiu duas mulheres. Segundo levantamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, 37 de 132 árvores estão mortas, formando uma paisagem de desolação nos locais.

Além do acordo como o MPE e com os ativistas, outro entrave para a supressão é o tombamento dos fícus pelo patrimônio municipal. “Evidentemente que alguma coisa pode acontecer. Uma fissura em um galho é imperceptível e as árvores são gigantescas. No entanto, estamos absolutamente engessados nessa situação”, afirmou o secretário de Meio Ambiente, Délio Malheiros. Apenas a retirada de galhos podres é possível, mesmo assim, explica ele, com prévia autorização do MPE.

ACORDO?

O Ministério Público informou que foram feitas inúmeras reuniões com a sociedade civil e a prefeitura para definir a questão paisagística, mas que não houve formalização de um acordo. Em nota, o órgão esclarece que aguarda a implantação das diretrizes estabelecidas nas reuniões para a revitalização dos espaços, o que só deve ocorrer no ano que vem.

O destino das avenidas está condicionado à escolha de um projeto em concurso público, que só terá edital publicado no fim do ano.

INCERTEZA

A questão é: será que as árvores mortas irão aguentar de pé por tanto tempo? Para o biólogo da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda) Francisco Mourão, a resposta é “não”. Ele avalia como precária a condição das árvores. “Do jeito que estão, não podem continuar ali”.

Para Mourão, é necessária a retirada dos fícus mortos o mais rápido possível, principalmente por causa das aproximação do período chuvoso. “Temos seguidos acidentes com árvores urbanas. Mantê-las em condições ruins é perigoso e pode colocar a sociedade contra a arborização”.

O MPE informou ainda que, se houver algum risco à população, a prefeitura tem de agir, realizando, inclusive, o isolamento da área. O órgão não se manifestou sobre a possibilidade de retirada dos espécimes mortos antes da definição do projeto paisagístico.

IMPASSE

Para o Movimento Fica Fícus, as árvores, mesmo mortas, não devem ser retiradas devido ao papel biológico e histórico que desempenham. “Cumprem uma função ambiental, são suporte para inúmeros seres, pássaros. O que temos é que nos educar para aprender que o processo de morte de uma árvore é natural”, afirmou uma das integrantes do movimento Marimar Poblet, que também é diretora de meio ambiente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

Na avaliação dela, mesmo mortas, não há risco de as árvores das avenidas caírem. “O que pode ocorrer é a queda de galhos superiores”.

VISTORIA

Nessa segunda, técnicos da regional Centro-Sul e da Defesa Civil realizaram vistoria na avenida Bernardo Monteiro e identificaram a necessidade da retirada de galhos com risco de queda em duas árvores. O serviço será realizado nesta terça (20).