A prefeitura de Belo Horizonte cancelou pré-Carnaval irregular que seria realizado no bairro Belvedere, região Centro-Sul de Belo Horizonte, neste sábado (22). O motivo foi a descoberta de que o evento seria uma festa particular e não um desfile de bloco de rua, como teria sido apresentado à Empresa Municipal de Turismo de BH (Belotur) para conseguir a licença. 
 
A irregularidade foi descoberta devido à divulgação do “Carnanejo” por meio do Facebook e Whatsapp. Nas mensagens postadas, os internautas anunciavam vendas de abadás e barracas e até cordão de isolamento, o que chamou a atenção da Associação dos Amigos do Bairro Belvedere, que denunciou o caso. 
 
Segundo o presidente da entidade Ubirajara Pires, no cartaz postado nas redes sociais que anunciava show com trio elétrico, estava caracterizado que se tratava de uma produção particular, aproveitando a excepcionalidade do Carnaval, com fins lucrativos. “Está além da característica essencial dos blocos de carnaval que desfilam nas ruas, que são a gratuidade e espontaneidade”, explicou. 
 
Assustado com a quantidade de abadás que teriam sido vendidos, cerca de 2 mil ao preço de R$ 50, Ubirajara acionou a Polícia Militar e a prefeitura
alertando sobre as supostas vendas de ingressos e a quantidade de pessoas que estariam no local, sem segurança. “Tomamos todas as providências para que esse evento não acontecesse. Aqui é um bairro residencial e a Lagoa Seca é utilizada para a pratica de esportes e encontro de famílias. Além disso, os comerciantes e moradores estariam desprotegidos durante a festa”, afirmou.
 
O estudante Pedro Pampolini, de 20 anos, afirmou que um amigo ofereceu o abadá por R$ 50 para o aquecimento de carnaval com a dupla “Rick e Ricardo”, na Lagoa Seca. “A festa estava programada para começar às 14 horas e não tinha hora para acabar”. 
 
Após receber a denúncia, a Belotur encaminhou nota à associação. O texto diz que foi constatada a situação irregular do evento anunciado para o Belvedere. “Já comunicamos ao produtor que ele não pode ser enquadrado como bloco carnavalesco de rua. Em verdade, escondendo informações, procurava enquadrar-se como evento carnavalesco, que possui outras características e não pode ser comercial”. Ainda segundo o documento, trata-se de evento artístico comum, com fins lucrativos, venda de abadás e cordas, necessitando, portanto, de licenciamento especial a ser solicitado à Regional Centro-Sul, destacando que o evento não conta mais com qualquer tipo de apoio da Belotur.
 
A reportagem do Hoje em Dia ligou para o organizador do "Carnanejo", que confirmou o cancelamento. Porém, ele se recusou a falar sobre a devolução do dinheiro para as pessoas que compraram os abadás. Para evitar que a festa aconteça mesmo depois da proibição, fiscais da prefeitura e policiais serão enviados ao local escolhido para a realização do pré-Carnaval.