Depois de investir mais de R$ 70 milhões na implantação do Move na área central de Belo Horizonte, a prefeitura busca agora uma contrapartida dos comerciantes da avenida Santos Dumont. O plano é revitalizar e valorizar a imagem do corredor comercial, além de melhorar o fluxo de pessoas que seguem para as estações do sistema de transporte rápido.

Placas fora do padrão e banners, que ficavam em frente às lojas, começaram a ser retirados. Os empresários foram notificados para fazer readequações na calçada. Marquises com infiltrações e fachadas degradadas ou que ofereçam risco a pedestres terão que ser recuperadas.

Além disso, fiscais irão combater o descarte irregular de lixo na via e a distribuição de panfletos. A “repaginada” na avenida Paraná, onde funciona outro terminal do Move, será em uma segunda etapa.

RETOMADA

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) e a Associação dos Comerciantes do Hipercentro acreditam que o embelezamento ajudará o comércio, que sofreu prejuízos de até 70% durante as obras do Move.

Para as entidades, é possível que o movimento antigo retorne, inclusive, com faturamento 10% maior. Isso dependeria principalmente da implantação completa do Move, que ainda não tem data prevista para acontecer.

O vice-presidente da CDL, Anderson Rocha, diz que a abertura de todas as estações de ônibus e as reformas previstas nos códigos de Posturas e de Edificações do município podem ser encaradas como um atrativo para novos consumidores, não só na Santos Dumont, quanto no entorno.

Pesquisa da CDL feita com 114 lojistas quando a Estação Central do Move foi inaugurada apontou que 63,64% dos entrevistados acreditam que tão logo o Move comece a funcionar a pleno vapor as vendas crescerão. Para 25,25% não haverá impacto e 11,11% acreditam que o movimento irá cair.

Para o presidente da Associação de Comerciantes do Hipercentro, Flávio Froes Assunção, os primeiros dois meses de funcionamento parcial do Move não trouxe melhorias significativas no comércio local. “A expectativa de dias melhores é grande, mas, por enquanto, está tudo muito no início”.

Dona de uma lanchonete, Camila Macedo já faz planos. A partir do próximo mês, o negócio dela vai fechar uma hora mais tarde. “Vamos funcionar das 5 às 22h”.

Melhorias na iluminação, segurança e paisagismo nas avenidas Paraná e Santos Dumont também poderão ser um atrativo para consumidores, avalia Ednílson Vespoli, proprietário de uma loja de materiais elétricos. Ele, contudo, diz que como a abertura das estações ocorre aos poucos, a clientela cresce na mesma proporção.

Pista para ônibus faz carros sumirem

Com o aumento do fluxo de pessoas nas estações e pistas exclusivas dos ônibus do Move, donos de estacionamentos na avenida Santos Dumont, no Centro da capital, contabilizam prejuízos.

Para atrair os clientes, manobristas ficam nas esquinas das ruas Rio de Janeiro e São Paulo oferecendo vagas com descontos de até 40%. O preço da hora para estacionar no local varia de R$ 6 a R$ 8. Antes de o Move começar a funcionar no trecho, ia de R$ 10 a R$ 12. A diária passou de R$ 30 para R$ 24.

Apesar dos descontos, motoristas preferem evitar a via, com medo de serem punidos com multas, afirma Antônio Carlos, funcionário de um estacionamento.

“Mesmo com as placas autorizando os condutores a transitar nas pistas do BRT, eles ficam com medo. Com isso, houve uma redução de 70% no nosso faturamento”, afirma.

Na esquina da rua São Paulo, o manobrista Fábio Frade dos Santos, de 28 anos, aguardava sentado pelos clientes, enquanto outro funcionário oferecia as vagas em um semáforo.

“Antes de finalizarem as obras, recebíamos uma média de 150 carros por dia. Hoje, quando o movimento é bom, não passa de 30”, diz.

“Quando as estações começarem a operar com 100% da capacidade, a tendência é piorar. Teremos mais pessoas andando pelas vias, o que deve inibir ainda mais os condutores”, acrescenta Fábio Santos.