A revitalização da avenida Bernardo Monteiro, no bairro Santa Efigênia, Leste de Belo Horizonte, está mais próxima de sair do papel. Um concurso público aberto pela prefeitura da capital vai selecionar e premiar o melhor projeto de arquitetura, urbanismo e paisagismo para devolver à região o ar acolhedor do passado.

Desde 2013, quando diversas árvores centenárias da espécie Fícus foram atacadas pela mosca-branca e tiveram que ser cortadas, o local até então utilizado para a realização de feiras e eventos de lazer perdeu a atratividade para grande parte da população.

Hoje, além dos troncos ressecados de exemplares que morreram depois do ataque da praga, o que se vê no canteiro central do três quarteirões, entre as avenidas Brasil e Alfredo Balena, são poucas espécimes que ainda conservam algum aspecto verde.

Lojistas e moradores da região afirmam que a mudança não afetou apenas os aspectos paisagísticos da área, mas também o fluxo de pessoas. A dona de uma lanchonete que funciona há 16 anos por lá garante que o movimento nas imediações nunca mais foi o mesmo.

“O local perdeu a identidade, deixou de ser convidativo. A beleza da Bernardo Monteiro estava justamente nessas árvores. Hoje, só passa por aqui quem precisa estacionar ou ir ao médico”, afirma a mulher, que pediu para não ser identificada.

Com a debandada dos frequentadores, a avenida também se tornou espaço para aglomeração de moradores de rua que chegaram a montar dezenas de barracas e permaneceram acampados por meses. 

“Até uma semana, eles ainda estavam aqui. Foram retirados há poucos dias e deixaram alguns objetos para trás. Mas, se ninguém movimentar o espaço, eles acabam voltando”, reclama o funcionário de uma ótica, que também pediu anonimato.

A Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania foi procurada para comentar o assunto, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.

“Muitas praças de BH passaram por reformas milionárias e voltaram a ser degradadas por falta de manutenção. Que isso não se repita” (Rosilene Guedes, presidente do IAB-MG)

Proposta

O município irá oferecer R$ 100 mil para a melhor proposta apresentada de acordo com as exigências do edital. A expectativa é a de que, a partir daí, os estudos técnicos estejam prontos para início das obras em aproximadamente oito meses, conforme explica o urbanista Júlio de Marco, membro da Gerência de Projetos Especiais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

“As iniciativas é que vão propor soluções para as árvores que ainda estão no local. Nem todas precisam, necessariamente, ser arrancadas. O importante é que a área volte a ter sombra e seja ocupada pela população como era antigamente”, diz. 

O urbanista ainda destaca que, após a conclusão das obras, a manutenção da via ficará sob a responsabilidade da prefeitura. “O custo para manter a conservação será, inclusive, um critério para a escolha do melhor projeto”, frisa Júlio de Marco.

Conforto

A revitalização da avenida Bernardo Monteiro também trará mais conforto aos frequentadores do local. Quem afirma é a presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-MG), Rosilene Guedes Souza. Para ela, a área precisa de uma intervenção urgente para que as pessoas voltem a ter a sensação de pertencimento da região e, dessa forma, evitem que o espaço continue abandonado.

“É um espaço que precisa ser requalificado, afinal, é um direito da sociedade ter esse tipo de acesso”, afirma a especialista. Rosilene ressalta, ainda, que o rigor na manutenção da Bernardo Monteiro após a conclusão da reforma é essencial para que o problema não se repita. “A prefeitura pode, por exemplo, exigir de bancos e grandes empresas ao redor que preservem a avenida como uma forma de contrapartida”, sugere.