Dezenove capivaras mantidas em cativeiro há mais de um ano foram soltas no entorno da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. Os animais estão vermifugados e sem carrapatos. O retorno ao antigo habitat foi sentenciado pela 20ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, que revogou liminar obtida pela Prefeitura autorizando o isolamento. O futuro dos roedores, porém, permanece indefinido. Apesar de ter cumprido a medida, a administração municipal recorreu da decisão e um novo embate deve ocorrer nos tribunais.

A polêmica envolvendo os animais se arrasta há anos. De um lado, o poder público argumenta o risco de transmissão da febre maculosa – a capivara é um dos hospedeiros do carrapato-estrela, responsável pela doença. Do outro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e especialistas defendem a permanência dos bichos associada a um plano de manejo.

A determinação de soltura foi expedida em janeiro, mas o Ministério Público Federal só divulgou a informação nessa sexta-feira (4). Conforme o órgão, os bichos levados em 2014 para a Fundação Zoo-Botânica estavam em “péssimas e cruéis condições”. Um laudo técnico foi elaborado e apontou as capivaras em estado avançado de esgotamento físico e psicológico, explica a procuradora da República Mirian Moreira Lima.

Mortandade

Em novembro do ano passado, o Hoje em Dia mostrou que esses 19 animais eram os únicos vivos de um total de 52 capturados. Todos foram colocados em isolamento no Parque Ecológico da Pampulha. Na época, apesar da alta mortandade, a Zoo-Botânica garantiu que os roedores recebiam boa alimentação e os devidos cuidados, mas não se adaptaram ao cativeiro prolongado.

Integrante do Movimento Mineiro de Defesa dos Animais, Adriana Araújo comemorou a decisão judicial. Ela rebate a justificativa de retirada das capivaras por causa do risco de febre maculosa, e lembra que outros bichos, como bois e cavalos, também hospedam o carrapato-estrela.

O próximo passo, diz Adriana, é o chamado “manejo ético”. Para isso, os animais precisam ser esterilizados. A alternativa evita a reprodução descontrolada e ajuda também a controlar a febre maculosa.

Ela reforça a necessidade de outras ações. “A conscientização da população é muito importante. Muitas capivaras são atropeladas. Nosso diálogo com a Prefeitura caminha no sentido de mostrar a necessidade de se implantar placas indicando a presença dos bichos”.

O plano de manejo a ser executado pela Prefeitura, conforme exige a medida judicial, deverá disponibilizar todo o mapeamento da espécie, como número de machos e fêmeas, lembra o analista ambiental do Ibama, Junio Augusto dos Santos Silva.

A PBH não disponibilizou fonte para falar sobre o assunto. Em nota disse que cumpriu a decisão e iria recorrer.