Em reunião com consórcios de ônibus na tarde desta sexta-feira (21), a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ofereceu um reajuste de 11% na tarifa do transporte coletivo da cidade às empresas gerenciadoras do sistema. A proposta é que a passagem de ônibus na capital passe a custar R$ 4,50 a partir de janeiro do ano que vem.

Pela manhã, Alexandre Kalil (PHS) divulgou o resultado de uma auditoria na “caixa-preta” da BHTrans, promessa de campanha do prefeito. Conforme o levantamento, a passagem de ônibus de BH deveria custar R$ 6,35, levando em conta o contrato vigente na cidade. Um segundo cálculo feito utilizando a metodologia da Associação Nacional dos Transportes Públicos indica que a tarifa deveria custar, no mínimo, R$ 5.

O reajuste agora pode acabar na Justiça. É que nos últimos anos não foram feitas mudanças na passagem pois o prefeito aguardava o resultado da auditoria. O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (Setra-BH), Joel Jorge Paschoalin, diz que não houve negociação com a PBH sobre o valor.

“A gente entende que este valor da tarifa é muito alto e a gente também não gostaria, mas a gente tem que achar caminhos pra amenizar e não simplesmente entrar numa negociação unilateral", comentou. "Nós recebemos nossa cópia da auditoria. Vamos sair daqui e procurar com nossos advogados o que vamos fazer a partir da semana que vem", acrescentou.

Perguntado se poderia haver alguma medida judicial contra a prefeitura, Paschoalin respondeu: "Provavelmente".

Obrigações

Além do reajuste, a PBH solicitou que as empresas invistam em outras melhorias no sistema de transporte da capital. Segundo o presidente da BHTrans, Célio Bouzada, as empresas terão que recontratar 500 trocadores para trabalhar nos coletivos da capital e colocar em operação 300 novos veículos dos modelos com ar-condicionado.

“Na próxima segunda-feira, às 11h, provavelmente, teremos uma nova reunião com os representantes das empresas para tentarmos chegar em um acordo sobre as mudanças solicitadas pela prefeitura. Mas o prefeito foi claro: o valor de seis reais é impraticável”, afirmou Bouzada.

Segundo o presidente do Setra-BH, impossível que as empresas cumpram com os pedidos da prefeitura, mesmo com o reajuste para R$ 4,50 na tarifa. "O problema continua. O contrato já passou da metade. Nós temos que enfrentar esse problema", argumentou Paschoalin.