A Prefeitura de Belo Horizonte irá publicar nesta sexta-feira (12) um chamamento público para a contratação de mais de 200 profissionais da saúde, entre eles, 87 médicos, principalmente clínicos gerais e pediatras, para reforçar os atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e centros de saúde da capital. Os detalhes sobre cargos e remuneração serão divulgados na página da prefeitura e a contratação será imediata. Também é previsto o funcionamento de postos de saúde nos finais de semana, para atendimento de casos mais graves com o objetivo de desafogar as UPAs.

Neste sábado (13), a abertura de centros de saúde já será testada em três postos da capital localizados em regiões que tiveram um aumento na procura por atendimento: o centro de saúde Alcides Lins, na regional Nordeste; o posto Santa Terezinha, na Pampulha; e o centro de saúde Tirol, no Barreiro. Como acontece durante a semana, eles irão funcionar de 9h às 18h. Se a iniciativa der certo, o funcionamento aos sábados deve ser ampliado para outros postos da capital, o que será anunciado posteriormente pela prefeitura. 

As ações fazem parte de uma estratégia do município para dar conta de atender a toda demanda oriunda do aumento de casos suspeitos de dengue e também de atendimentos motivados por problemas respiratórios, como gripes, que também tiveram um aumento este ano. É possível, inclusive, que haja uma interseção entre estes casos, já que muitos pacientes que dão entrada nas unidades com problemas respiratórios podem ser diagnosticados posteriormente com a doença transmitida pelo mosquito  Aedes aegypti.

Para se ter uma ideia, somente na última semana, algumas unidades de saúde registraram picos de 600 pacientes atendidos por causa de problemas respiratórios. 

Segundo o gerente de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Alex Sander Sena, por conta disso, além da contratação de mais profissionais haverá também o reforço das estruturas e ampliação no atendimento. 

"Além dos casos de dengue, neste ano houve também um aumento de cerca de 40% no número de atendimentos por causa de síndromes respiratórias, em relação ao fim do ano passado. Portanto, a secretaria adotou algumas ações para fortalecer os atendimentos nas unidades básicas de saúde e pronto-atendimentos. Além do chamamento público para a contratação de mais médicos, vai haver também um reforço na medicação de hidratação via oral e mais leitos de retaguarda", explica Sena. 

Dentre as ações, estão previstas ainda a instalação de 12 leitos extras de internação no Hospital Odilon Behrens, principalmente no setor pediátrico - já que problemas respiratórios acometem principalmente crianças e idosos - e um reforço na estrutura física das UPAs com macas e cadeiras extras para acomodar melhor a população. 

Plano de contingência

A prefeitura de BH ainda conta com um plano de contingência que poderá ser acionado caso um surto da doença venha a se confirmar na capital. 

"Criamos este plano em 2016, quando houve um aumento gigantesco no número de casos da doença. Mas para colocar em ação a gente espera até, no máximo, a 19° semana do ano, para averiguar se haverá uma diminuição no número de casos ou aumento. Estamos na 14° semana do ano e, até então, os números não se mostraram suficientes para a adoção do plano", explica Alex Sander. 

Ele se refere à última grande epidemia de dengue que aconteceu no Estado, em 2016, quando foram registrados 519.050 casos da doença. Para comparação, o total de casos registrados no ano passado em Minas foi 29.369. Ainda assim, esse balanço de 2018 coloca 2019 em uma posição de alerta, já que somente entre janeiro e a primeira semana de abril já são quase 100 mil casos prováveis da doença. 

O plano de contigência prevê a criação de unidades de reposição volêmica em BH, que são unidades intermediárias de atendimento entre a UPA e a unidade de internação, para agilizar o processo de triagem e atendimento. Elas podem ser feitas de contêiners ou instaladas em unidades de saúde e espaços públicos adaptados para este fim. 

"Em janeiro foram 324 casos prováveis de dengue em BH e em março, foram 1760 casos. Estamos prontos para tomar essa posição de adotar o plano de contingência caso não aconteça uma queda nestes números nas próximas semanas". Até então, nenhuma morte causa pela doença foi confirmada na capital. Casos prováveis são a soma do número de casos confirmados e suspeitos de dengue. 

Até a última sexta-feira (8), o número de casos prováveis da doença em Belo Horizonte chegava a 10.984, deixando a capital com um índice considerado alto de incidência de dengue. 

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