Detonações ocorridas no dia 25 de janeiro deste ano, data em que a barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, são analisadas pela Polícia Civil (PC), que quer saber se as explosões podem ter contribuído para a queda da estrutura. A informação foi divulgada pela corporação nesta terça-feira (25). 

Por meio de uma notam, a instituição afirmou que o inquérito que apura as responsabilidades da tragédia apontou que as detonações aconteceram no dia. "Vale ressaltar que o Complexo do Córrego do Feijão é composto pelas Minas de Jangada e Córrego do Feijão. Até a data do rompimento da barragem, as detonações ocorriam, diariamente, na Cava de Jangada. Na cava de Feijão, as detonações eram feitas até duas vezes por semana. A Cava de Feijão fica a cerca de 1,3 km de distância da Barragem B1, que se rompeu", precisa.

Ainda segundo a PC, além dos depoimentos colhidos, documentos apreendidos e requisitados ao longo da investigação também comprovam as detonações. Os policiais que participam dos levantamentos tiveram acesso ainda ao relatório chamado de "Mapa de Fogo", que contém a frequência e a intensidade dos explosivos usados na mina em questão. 

"A Força Tarefa, composta pelo Ministério Público e pela PCMG, analisa, através da perícia técnico-científica e com o auxílio de analistas, se as detonações contribuíram de alguma forma para o rompimento da barragem em Brumadinho", conclui a nota da corporação. 

Procurada pelo Hoje em Dia, a Vale informou que nenhuma detonação aconteceu antes do rompimento da barragem B1. "Após a ruptura, por medida de segurança, foram realizadas duas detonações que já estavam programadas para ocorrer, em distância e com cargas seguras. As detonações foram mantidas com o objetivo de eliminar qualquer risco vinculado à presença de furos carregados de explosivos no complexo do Córrego do Feijão", completa a empresa. 

Depoimentos na ALMG 

Na segunda-feira (24), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Brumadinho na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), os horários destas detonações foram alvo de divergência em dois depoimentos prestados aos parlamentares. Eiichi Pampulini Osawa, mecânico de mineração da empresa Sotreq, e Edmar de Rezende, aplicador de explosivos da Vale, foram ouvidos.     

A detonação, realizada em um local que fica a aproximadamente 1,4 km da barragem, teria ocorrido entre 12h20 e 12h40, conforme Osawa, que não precisou se a explosão aconteceu antes, durante ou depois do rompimento. Já Rezende garantiu que a detonação foi às 13h33, cerca de uma hora após o evento. Ele garantiu ainda que foi ele mesmo quem tomou a decisão pela detonação, uma vez que não era mais viável retirar os explosivos instalados e seria perigoso deixá-los lá e, além disso, o chefe imediato dele havia morrido no rompimento. 

Apesar da divergência, ambos disseram que nunca tiveram acesso às advertências do relatório da empresa Tüv Süd de que não deveria ocorrer detonação ou movimentação de máquinas pesadas na área próxima à barragem B1. 

Procurada na segunda, a Vale informou, por meio de uma nota, que a ocorrência de detonações é inerente às atividades de mineração. "No relatório emitido pela TUV SUD em junho/18, não existe a recomendação expressa de paralisação das operações das minas. Essas detonações, portanto, eram realizadas de forma monitorada na cava das minas de Córrego do Feijão e de Jangada, estando de acordo com as recomendações da auditoria. A legislação não estabelece distância mínima. Se houvesse necessidade de interromper as operações nas minas de Córrego do Feijão e de Jangada, isso teria sido recomendado pela auditoria", alegou a mineradora.

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