Caminhar pelas ruas de Governador Valadares não é uma tarefa simples para os moradores da principal cidade do Vale do Rio Doce, com 263 mil habitantes. Seja nos bairros ou na região central o cidadão encontra os mais variados obstáculos no dia a dia. Ambulantes que comercializam desde frutas a produtos eletrônicos, mesas e cadeiras de bar, material de construção e até veículos estacionados nas calçadas ajudam a engrossar a extensa lista de infrações cometidas, ferindo as regras do Código de Posturas.

Além dos pedestres, motoristas sofrem com vias transformadas em canteiros de obras e faixas comerciais espalhadas em árvores e postes, atrapalhando a visibilidade. À noite, o som acima do permitido é o campeão de reclamações no setor de fiscalização da prefeitura: cerca de 30 denúncias por mês. “Temos uma equipe com 32 fiscais espalhados pelas ruas da cidade. No ano que vem deveremos ter um reforço de pelo menos dez fiscais para nos ajudar no cumprimento da legislação”, disse o diretor do departamento de Controle Urbano da Prefeitura Eloísio de Oliveira Rodrigues.

Além de ter que desviar dos ambulantes que disputam espaço na movimentada calçada da avenida Minas Gerais, no Centro da cidade, a dona de casa Ana Clara Santos, 29 anos, é obrigada a se esquivar das gotas d’água liberadas pelos aparelhos de ar condicionado. Este é um tipo de infração desconhecida para a maioria da população. “É uma falta de desrespeito deixar pingar essa água nas pessoas”, protestou. O Código prevê multa de cerca de R$ 600 para quem não encanar a água que sai dos aparelhos.

Ainda no Centro da cidade, conseguir espaços entre as motos estacionadas na calçada de uma oficina na rua Bárbara Heliodora, entre as ruas Marechal Deodoro e Benjamin Constant, é ainda mais difícil. Pequenas oficinas e lojas que vendem equipamentos especializados para esse tipo de veículo atormentam a vida dos pedestres. “Já precisei passar na rua porque a calçada estava tomada por motos”, disse o representante comercial, Pablo Ferreira.

Para tentar alertar a população sobre as principais infrações ao Código, há dois anos a prefeitura criou uma cartilha educativa. “Estamos adotando a linha da orientação, apesar de o número de multas estar aumentando em relação aos anos anteriores. Antes da pessoa ser multada estamos orientando, mostrando o que é certo e o que é errado. Mas mesmo assim tem gente que continua desrespeitando as normas do Código de Obras e Posturas”, afirmou Eloísio de Oliveira.

Na próxima semana a prefeitura vai iniciar uma operação para retirar das calçadas os ambulantes que não estiverem com alvará de funcionamento. Atualmente 200 camelôs têm autorização para usar o espaço.

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