Três importantes vacinas, recomendadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria para crianças de dois a sete meses, estão em falta na rede particular da Grande BH. Duas das imunizações – hexavalente e pentavalente – não têm nem previsão de reposição pelos fornecedores, que alegam aumento da demanda.Já para a meningocócica B, lançada em maio deste ano pelo laboratório GSK, existe fila de espera em várias clínicas da cidade.

Na Imunológica Vacinas Humanas, com unidades em BH, Betim e Contagem, as vacinas estão fora de estoque há quatro meses por falta do produto nos laboratórios. Cerca de 1,5 mil pessoas aguardam a chegada das doses da hexavalente e da pentavalente. “Chegam quantidades pequenas, mas elas não suprem a lista de espera”, informou o diretor da clínica, Geraldo Barbosa. A previsão é a de que os estoques sejam normalizados apenas no ano que vem.

Quem espera pela vacina meningocócica B, disponível apenas na rede particular, pode aguardar ainda mais. A fila de espera na Imunológica chega a 3 mil pessoas para o recebimento da primeira dose. Um lote pequeno deverá chegar em novembro, segundo Barbosa, mas serão priorizados outros 400 clientes que aguardam a segunda dose da imunização.
 
ESPERA

A chefe de cozinha Michelle Alves Pereira Belico, de 35 anos, conta com a normalização do serviço para que a filha Alice, de 9 meses, receba a vacina contra a meningite B. “Ao ligar, me informaram que não tinha mais. Há uns dois meses que estou esperando”, contou Michelle, que recebeu do pediatra a recomendação para a filha ser imunizada.

No Hermes Pardini também faltam as vacinas hexa e pentavalente. Segundo o laboratório, ainda há um lote da meningocócica B e outro deve chegar nos próximos dias. No entanto, completou: “a demanda pela imunização é grande”.


Justificativas

A GSK, fabricante das vacinas hexavalente e meningocócica B, informou em nota que o desabastecimento ocorreu em virtude do aumento da demanda global e até mesmo por causa de surtos e epidemias das doenças. De acordo com o laboratório, o volume produzido não foi o suficiente para suprir toda a demanda. Em relação a hexavalente, a GSK informou apenas que está “trabalhando para disponibilizar o estoque”.
 
No caso da meningocócica B, de acordo com a empresa, desde o início deste mês novos lotes do produto foram liberados para regularizar o abastecimento.

O laboratório Sanofi, responsável pela fabricação da pentavalente Pediacel (contra difteria, tétano, coqueluche, poliomielite e influenza B), esclareceu que o desabastecimento temporário é resultado de um aumento da demanda não previsto no mercado brasileiro nos últimos meses.
 
De acordo com fabricantes das vacinas, a falta das doses decorre de um aumento da demanda pelas imunizações que não estava previsto no país


Opção é levar a criança para ser imunizada no centro de saúde

Sem a vacina hexavalente na rede particular, os pais devem procurar alternativas pelo SistemaÚnico de Saúde (SUS) até que o serviço seja normalizado. “O pior é ficar sem a imunização”, afirma o pediatra e infectologista José Geraldo Leite Ribeiro.

A vacina pentavalente oferecida na rede pública protege contra cinco tipos de doença (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e influenza B). Para garantir a imunização contra a poliomielite, também é administrada uma dose da vacina pólio inativada, chamada Vip.

Na rede particular, além das cinco doenças, a hexavalente garante a imunização contra a poliomielite, economizando uma picada na criança, já que não ela não precisa receber a Vip. Outra vantagem é a redução das reações, como a dor local, segundo Ribeiro.

A Secretaria Municipal de Saúde informou não haver problemas no fornecimento das vacinas, disponíveis em 148 centros de saúde da cidade durante todo o ano.

Meningite

Outra vacina em falta, a meningocócica B garante a proteção contra um dos tipos mais letais de meningite bacteriana, com rápida evolução do quadro clínico após a infecção. Na rede pública, há apenas a proteção contra o tipo C da doença. Ribeiro esclarece não haver problema em prolongar o recebimento da segunda dose da imunização para proteger os pequenos contra o tipo B da doença, como está acontecendo por causa da falta da vacina nas clínicas. “Não existe intervalo máximo. Só mínimo. Se aumentar, vai ter a mesma eficácia”, disse.
 
Além disso

Mais de 120 mil crianças de seis meses a quatro anos foram imunizadas contra a poliomielite, conhecida popularmente como paralisia infantil, na última campanha realizada em Belo Horizonte, em agosto deste ano. Hoje é comemorado o Dia Mundial de Combate a Poliomielite, definido pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Com a última campanha, BH ultrapassou a cobertura registrada no ano passado, quando pouco mais de 80 mil pessoas foram vacinadas (69% de cobertura).

O objetivo da campanha contra a poliomielite é manter o Brasil livre do poliovírus. O último registro da doença no país foi em 1989. Em Belo Horizonte, o último caso da doença foi em 1987.

A vacina oral protege contra os três sorotipos do poliovírus (1, 2 e 3) e é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

arte horizontes