Serventes, mestres de obras, engenheiros e pedreiros foram o público de uma palestra em uma construção no bairro Vila da Serra, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na manhã desta quinta-feira (25). O assunto do encontro foi a mulher em situação de violência doméstica e familiar. A iniciativa teve o apoio do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). 

A palestra teve interatividade entre os participantes. Com papeis verdes, vermelhos e amarelos nas mãos, cada um dos presentes indicava, respectivamente, concordância, discordância ou dúvida diante de questões abordadas. 

“O homem deve ser forte, provedor e trabalhador”, “As mulheres são sensíveis, amáveis e cuidadoras”, “Meninos devem iniciar a vida sexual antes das meninas”, “A violência doméstica só acontece de vez em quando”, “A violência doméstica acontece mais entre as famílias pobres e de pouca instrução”. 

Uma a uma, frases como essas, com afirmações sobre os papéis dos homens e das mulheres na sociedade, as formas como meninos e meninas são criados e a questão da agressão à mulher, no ambiente familiar, foram pronunciadas e provocaram reações diversas no público.

A atividade, proposta pela psicóloga Rebeca Rohlfs Gaetani Barbosa, integrou as ações da 20ª Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Sipat) da Conartes Engenharia e Edificações Ltda. 

Aos trabalhadores, a psicóloga não apenas levou reflexão sobre o tema, como também informações sobre a Lei Maria da Penha, os tipos de violência que a legislação prevê – como a física, a psicológica e a patrimonial –, as consequências dessas diversas formas de agressão para as vítimas e a importância de os homens escutarem suas companheiras e de estabelecerem com elas uma comunicação não violenta, entre diversos outros pontos.

Rebeca Rohlfs também levou aos trabalhadores da construtora dados sobre a violência doméstica no País, indicando que, no Brasil, a cada 15 segundos, uma mulher é espancada, 95% dos homicídios de mulheres são cometidos pelos companheiros delas e, em média, as vítimas demoram nove anos para fazer a primeira denúncia contra o agressor. 

“A violência doméstica e familiar acontece em todas as classes sociais e traz inúmeras consequências para as mulheres, como depressão, baixa autoestima, síndrome do pânico, fibromialgia, obesidade e abuso de álcool, entre diversas outras”, afirmou.

Interação com funcionários

palestra

Dentre as informações ofertadas na palestra, está o dado alarmante de que 95% dos homicídios de mulheres são cometidos pelos companheiros delas

Cerca de 180 funcionários da construtora e de empreiteiras parceiras da empresa – trabalhadores das equipes de administração da obra (engenheiro, mestres, encarregados, estagiário), do operacional (servente, pedreiros, carpinteiros/armadores, eletricista e hidráulica) e da assistência técnica compuseram o público da palestra, a quase totalidade deles, homens. 

“Gostei muito da palestra, pois ela trouxe mais conhecimento para todos nós sobre a Lei Maria da Pena. Todo mundo já ouviu falar dela, mas é preciso entender mais sobre o assunto, sobre as outras formas de violências que ela prevê e que muitos de nós não conhecíamos, como a violência patrimonial ou a sexual dentro do relacionamento”, avaliou o engenheiro Ricardo Alexandre Xavier.

O encarregado de hidráulica Warley Antônio Teixeira também gostou da escolha do tema da palestra e avaliou ser muito importante levar a discussão sobre o assunto para dentro do canteiro de obras. 

“Às vezes, o homem pode não saber que a forma como ele está agindo é um tipo de agressão. Por isso, é importante sim conhecer a lei. Agora, a gente pode até conversar sobre os colegas sobre isso”, disse.