Considerada uma cidade com vocação para o turismo de negócios, Belo Horizonte tem mostrado potencial também à visitação puramente voltada ao lazer. Pela primeira vez em três anos, o número de visitantes da capital interessados apenas em conhecer seus atrativos ultrapassou o daqueles que chegam para trabalhar ou participar de feiras e exposições.


Para especialistas, dois motivos explicam a mudança: a existência de um maior leque de opções culturais, que interessam ao turista comum, e a crise econômica, um balde de água fria nos investidores.


Pesquisa anual de Satisfação do Turista de BH, realizada pela Belotur e o Sistema Fecomércio, apontou que 29,3% dos entrevistados em passagem pela capital, em abril, passeavam a lazer. Em contrapartida, 23,5% se encontravam a negócios ou a trabalho.


Diretor-executivo do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau, Hernani de Castro diz não ter se surpreendido com o resultado. Na avaliação dele, a multiplicação da oferta de destinos interessantes, como o Circuito Cultural da Praça da Liberdade e o Instituto Inhotim, explica o fenômeno.


A pesquisa mostrou, também, uma retração na ocupação dos hotéis de segunda a sexta-feira. “É um reflexo desse baque no turismo de negócios. Temos de trabalhar por mais eventos na cidade, considerando o turismo de lazer como possibilidade de alavancar também o turismo de negócios, e vice-versa”, sugere Castro.


Dos 1.079 entrevistados, 74,6% disseram ter sido atendidos plenamente em suas expectativas na viagem, percentual que cresceu 4% em relação a 2014 (70%).


INCENTIVO


Supervisora de estudos econômicos da Fecomércio, Luana Oliveira afirma que as políticas públicas voltadas às iniciativas culturais têm surtido efeito. “A cidade tem atraído novos perfis de público e mostrado mais atributos aos turistas”, analis a.


Márcia Lousada, professora do curso de turismo da UFMG, avalia que o fato de o turismo de lazer ter superado o de negócios tem relação com o do Carnaval em Belo Horizonte. “A cidade tem uma vida cultural muito forte e que não está ligada apenas a bares. Há uma redescoberta de BH por sua importância cultural para o país”, diz .


O presidente da Belotur, Mauro Werkema, também citou como fenômeno dessa mudança no perfil do turista o novo Carnaval da cidade.


Trânsito causa má impressão a quem vem de fora


Para quem chega a BH, o trânsito caótico apresenta-se como um péssimo cartão de visitas. Perguntados sobre o que mais desagradou na viagem, um quarto dos visitantes entrevistados apontaram o trânsito.


Na avaliação dos serviços e infraestrutura turística, as notas variaram de um (péssimo) a cinco (ótimo). A gastronomia foi o setor melhor avaliado, com nota 4,43. Na sequência vieram “diversão noturna”, com 4,27, e “bares e restaurantes”, com 4,23, reforçando o título de capital mundial de bares. O serviço de hospedagem aparece com nota média de 4,12.


Quanto à infraestrutura turística, “espaços para eventos” foi o item melhor avaliado, com nota 3,95, seguido de “táxis” (3,92), “serviço de telefonia móvel” (3,81) e “sinalização turística” (3,70).


A permanência média na capital subiu de 4,7 dias em 2014 para 6,3 dias em 2015. O gasto médio total na viagem foi de R$ 2.130 para turistas sozinhos ou acompanhados, valor que aumentou 5,6% em relação ao ano passado, quando o gasto foi de R$ 2.017. Já o gasto médio por pessoa foi de R$ 1.452 – aumento de 13% se comparado a 2014 (R$ 1.285 ).


ORIGEM


A maior parte dos turistas que visitam Belo Horizonte é de mineiros vindos do interior (59,2%). Em segundo lugar, pessoas de São Paulo (12,6%) e, em terceiro, do Rio de Janeiro (8,2%). Do total de entrevistados, 51,4% visitam a cidade duas ou mais vezes por ano. Apenas 1,9% são de estrangeiros, dos quais 28,6% são dos Estados Unidos e 14,3%, do Chile.


Na pesquisa, 55,3% dos turistas afirmam utilizar como principal meio de hospedagem a casa de amigos e parentes. Em 2014, esse percentual foi de 47,5%.


LOCAIS


Realizada entre 23 e 29 de abril, a pesquisa foi aplicada na rodoviária, nos aeroportos da Pampulha e de Confins, no Conexão Aeroporto, no Mercado Central e nos centros de atendimento ao turista. O intuito foi traçar o perfil dos visitantes e mostrar como eles avaliam a cidade nos quesitos comércio, prestação de serviços e infraestrutura turística.


Pela primeira vez, BH é mais visitada por viajante comum