delegado luiz augusto polícia federal

Delegado Luiz Augusto, durante entrevista coletiva da Polícia Federal

Nada menos que 80 milhões de arquivos foram apreendidos pela Polícia Federal (PF) durante as investigações do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Grande BH. O desastre, ocorrido em 25 de janeiro do ano passado, deixou 259 mortes. Ainda há 11 desaparecidos. Os trabalhos da corporação devem ser finalizados em junho.

Até o momento, mais de 80 pessoas foram ouvidas pela PF, que realizou cerca de 40 perícias. Ao todo, foram 50 diligências. Os indiciados pelos crimes somam 13. Porém, mais envolvidos podem surgir. As informações foram dadas pela Polícia Federal em coletiva na manha desta quinta-feira (16).

Na lista de materias aprendidos estão arquivos de celulares e computadores dos sete indiciados da Vale e seis da TÜV SÜD, certificadora alemã que inspecionou o reservatório de minério. Os profissionais participaram da entrega de relatórios que atestaram erroneamente a estabilidade da estrutura. 

Além dos funcionários, as empresas também foram indiciadas. A medida foi tomada, neste primeiro momento, com base no delito de falsidade ideológica. Penalidades em razão de crimes ambientais e contra a vida, como o homicídio (doloso ou culposo) ainda podem ocorrer. Uma perícia internacional, em andamento, é aguardada.

Só a pena por falsidade pode render até 18 anos de cadeia para cada citado, segundo o delegado-chefe da investigação na PF, Luiz Augusto Pessoa Nogueira. As As prisões dependem de denúncia por parte do Ministério Público, órgão que pode estar aguardando resultado de mais perícias. A reportagem procurou o MP para posicionar-se sobre o caso, mas ainda não houve retorno.

"A gente trabalha de uma forma bastante técnica, tentando ser o mais isento possível. Também sou humano, também tenho sentimentos. Então, essas famílias podem ter certeza de que estamos trabalhando muito e vamos fazer o possível para que todas as pessoas que contribuíram para essa tragédia, para esse crime, sejam responsabilizadas. Mas não seremos levianos e imputar responsabilidade ou culpas a quem, realmente, não cometeu nada de errado", afirmou Nogueira.

Um dos indiciados é um executivo alemão da TÜV SÜD. O homem, que mora no país europeu, declarou à PF que não virá ao Brasil prestar depoimento. A corporação trabalha com a possibilidade de ir à Alemanha ouvi-lo. Não está descartada a possibilidade de acordos para uma extradição dele ou mesmo o cumprimento da pena no exterior.

Perícia internacional
Conforme o delegado, a perícia mais importante e complexa foi iniciada em dezembro, com previsão de ser concluída em até cinco meses. Essa parte da investigação poderá definir as causas da liquefação - mudança do estado físico do rejeito, que passou de sólido para líquido.

Os trabalhos visam a desvendar como ocorreu o processo, já que a estrutura estava inoperante há dois anos e meio. A força-tarefa é composta por peritos da PF, estudiosos das áreas de engenharia e geotecnia de diversos países e especialistas de universidades de Barcelona, na Espanha, e Porto, em Portugal.

O resultado poderá identificar as falhas, também, no monitoramento da estrutura. "Cada setor era responsável por verificar uma área da empresa e cada um deles pode ter, de alguma forma, contribuído para que a barragem se rompesse. Assim, será possível direcionar para onde caminhar a fim de responsabilizar as pessoas individualmente", explicou Pessoa.

Vale e TÜV SÜD foram procuradas, mas ainda não se manifestaram.

Leia mais: 
Alarme falso de rompimento de barragem provoca pânico em comunidades de Alvorada de Minas