Familiares de detentos transferidos para outras cidades após o fim da rebelião no presídio de Governador Valadares, no Leste do Estado, ainda perambulavam em busca de informações na tarde desta terça-feira (9), dois dias após o motim. Listas foram anexadas nas paredes externas do Fórum, mas não contemplou todos os remanejados. “ Meu filho não está em nenhuma delas. Temo que esteja ferido, ou morto”, diz a aposentada Vicentina Barbosa de Oliveira, de 70 anos.

A preocupação da aposentada está pautada nos boatos que circulam entre os familiares de que o número de presos mortos é maior do que os dois, divulgados oficialmente. Ana Paula Teixeira Dias, de 30 anos, estava entre os familiares mantidos dentro do presidio e garante ter visto oito corpos. “Vi dois com a cabeça cortada, um sem os olhos, outro queimado e até sem os braços. O que fizeram com esses corpos, eu não sei, mas fiquei lá do começo ao fim e os vi”.

E completou: “Tinha mais de 23 pessoas lá dentro. Ficamos do começo ao fim da rebelião. Impossível só eu ter visto os mortos”, reafirmou. Dayane da Silva Lopes, de 26 anos, que buscava notícias do irmão David Elias da Silva, de 26 anos, garante que são dez mortos e que os corpos foram amontoados e fotografados antes de serem recolhidos pelo IML. As fotos, segundo ela, estão nas redes sociais. “Estão falando que é (foto) de outro lugar, outra época, mas é daqui. Quero ver como vão explicar o desaparecimento deles”, denuncia.

De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), dois presos foram mortos por colegas de presídio durante a rebelião. Um dos mortos foi identificado como sendo Jackson Germano, de 26 anos, liberado para sepultamento na manhã desta segunda-feira (8), em Valadares. O outro foi identificado apenas como Felipe Capixaba. O corpo dele continuava no Posto de Perícias Integradas (PPI) em Valadares aguardando reconhecimento, nesta terça-feira.

Dos 16 ficaram feridos sete continuam internados. Entre eles estão os cinco que foram jogados do telhado pelos detentos. Um deles, Cristian Costa Lima, de 26 anos, quebrou uma perna e pode perder o pé. “Ele está traumatizado, com síndrome do pânico e chora o tempo todo”, contou o irmão, Paulo Roberto da Silva, de 19 anos.

A rebelião no presídio de Valadares começou na manhã de sábado (6) e foi encerrada 25 horas depois. A principal reivindicação dos presos era a transferência por causa da superlotação, mas também reclamavam de maus tratos. Com capacidade para 290 detentos, o presídio abrigava 829. Pelo menos 600 foram transferidos para 25 cidades do Estado e outros, a maioria dos condenados, para a Penitenciária Francisco Floriano de Paula, em Valadares.

A Seds informou, por meio de nota, que a informação dos familiares não procede e reafirmou que ocorreram apenas dois óbitos durante a rebelião. Disse ainda que os nomes dos presos transferidos não serão divulgados, mas que a direção do Presídio juntamente com o Poder Judiciário, definiu dois pontos públicos na cidade onde as listas dos transferidos poderão ser consultadas pelos familiares. Esses locais são a sede da OAB e o Fórum. A previsão é que a lista completa seja divulgada nesta quarta (10).