As pessoas que praticam exercícios físicos regularmente sofrem um impacto menor quando infectadas pelo novo coronavírus? Essa é a pergunta que um estudo desenvolvido por pesquisadores de diversas partes do país pretende responder ao entrevistar pessoas que tiveram Covid-19.

De acordo com Daisy Motta, professora do Departamento de Esportes da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG, e participante da pesquisa comandada pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP, as pessoas que passaram pela doença podem responder a um questionário em que vão relatar sobre hospitalização e processo de cura, além de informar se realizavam atividades físicas regularmente.

A pesquisa pretende contar com respostas de 3 mil voluntários de todo o país, sejam eles sedentários ou praticantes de exercícios físicos. Para participar, basta acessar este link. Até o momento, 700 pessoas já atenderam ao chamamento.

De acordo com a pesquisadora, já existe uma hipótese de que os exercícios podem ajudar o sistema imunológico das pessoas, mas a pesquisa poderá levantar mais informações sobre a relação entre atividades físicas e sintomas da Covid.  

“Sabemos que os exercícios físicos protegem contra várias doenças, especialmente crônicas como diabetes e hipertensão, que são as doenças de muitas pessoas infectadas pelo vírus que apresentam quadros mais graves da Covid. Isso porque o exercício regular permite uma adaptação em todos os nossos órgãos, não só nos músculos”, afirmou.

A partir desse levantamento, poderá se dizer, por exemplo, quais exercícios e treinos foram mais eficientes para o sistema imunológico de quem pegou a Covid. De acordo com Daisy, o estudo poderá, no futuro, avaliar aquelas pessoas que fizeram exercícios aeróbicos, de força ou combinados.

Isolamento social

Neste momento de enfrentamento à pandemia, a recomendação das autoridades de saúde é que todos fiquem em casa. Academias e clubes estão fechados, para se evitar a transmissão do novo coronavírus entre os clientes.

Dayse recomenda que as pessoas façam um esforço para se movimentarem, mesmo dentro de casa. “Mesmo sem ter equipamento, a gente consegue se adaptar e fazer algum movimento. O importante é evitar ficar muito tempo parado, ficar sentado numa cadeira quatro horas seguidas. Então, coloque um despertador para tocar e levantar a cada hora e dar uma volta na cozinha. É melhor fazer um exercício leve do que deixar de fazer”, explicou.