Ainda sem vacina, medicamento de eficácia confirmada e com potencial para evoluir rapidamente para a forma grave, a Covid-19, que já causou a morte de mais de 55 mil pessoas no Brasil, exige dos profissionais de saúde velocidade e precisão no encaminhamento dos pacientes.

Para contribuir nesta luta contra o coronavírus, a professora Milena Soriano Marcolino, está  coordenando um estudo da Faculdade de Medicina da UFMG que vai coletar dados de hospitais de Minas Gerais e de outras regiões do país para criar uma “calculadora de risco” para o Covid-19.

O objetivo da pesquisa e verificar com as equipes de saúde, logo nas primeiras 24 horas de admissão da pessoa infectada, sobre o risco de o paciente evoluir para doença grave, com necessidade de ventilação mecânica ou evolução para choque ou disfunção orgânica, que se caracteriza por situações de comprometimento do sistema respiratório com baixa oxigenação do sangue, mesmo com o uso de oxigênio, redução do número de plaquetas e alteração do estado de consciência, das funções dos rins e do fígado.

Em um cenário de ameaça de escassez dos leitos de UTI, a análise também poderá apoiar as centrais de internação para que planejem uma melhor alocação dos pacientes nos leitos disponíveis. Além de compreender melhor o impacto da Covid-19 no sistema cardiovascular dos doentes, com avaliação da prevalência de miocardite e arritmias cardíacas, e a eficiência das diferentes terapias utilizadas nesse cenário.

“Inicialmente, essas informações serão verificadas para que se saiba quais estão associadas com maior risco de doença grave e mortalidade e qual o risco associado a cada dado (seu peso) para aquele desfecho”, explica a professora. Com isso, será elaborado o escore, uma espécie de “calculadora de risco” que se vale das variáveis e dos pesos verificados na primeira etapa. Em seguida, outra amostra de pacientes é testada para verificar se a “calculadora” funciona para predizer os desfechos, explica a cientista Milena Marcolino.

A coordenadora do projeto lembra que a Covid-19 é uma doença nova e que a produção de evidências é essencial para que profissionais de saúde e gestores possam oferecer a melhor assistência aos pacientes e informar a população de forma adequada. “Basear as decisões em evidências é essencial para evitar expor a população a riscos desnecessários. Além disso, possibilita melhor alocação de recursos em intervenções realmente efetivas”, conclui.

Aprovado em um programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o estudo receberá um aporte financeiro de aproximadamente R$ 105 mil. O projeto ainda está nas etapas iniciais e aguarda o depósito do incentivo para que sejam disponibilizadas bolsas a acadêmicos de medicina e profissionais da saúde que ajudem na coleta e na análise de dados.

Com UFMG