O açaí, fruto da palmeira tropical de mesmo nome, originária das florestas da Amazônia, tem potencial para reduzir a hipertensão. O benefício da antocianina, pigmento responsável pelo tom roxo-escuro do alimento, foi apontado por uma pesquisa da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), publicada em uma revista internacional.

De acordo com o artigo científico "Effect of Açaí (Euterpe Oleracea): Intake on Vascular Function and Lipid Profile: What is the Recommendation?", do nutricionista Heitor Oliveira Santos, a ingestão do açaí ajuda na dilatação das artérias, o que é um benefício na perspectiva cardiovascular. 

Como consumir

O trabalho, publicado na revista International Journal of Cardiovascular Sciences da Sociedade Brasileira de Cardiologia, recomenda o consumo da da polpa, o mais pura possível - ou seja, sem açúcar, mel e leite condensado. 
 
Para obter o efeito desejado, é preciso consumir ao menos 150 gramas de polpa, e quase todo dia. Com isso, acontece a dilatação das artérias, o que facilita a passagem do sangue, diminui a tensão dos vasos sanguíneos e faz com que a pressão abaixe.

Podem servir de acompanhamento o leite em pó desnatado, que agrega cálcio e proteína, ou castanhas e amêndoas, que potencializam os bons efeitos do prato.

Os grandes degustadores do creme roxo-escuro ganham, de tabela, as fibras e vitaminas da fruta, além do beta-sitosterol, substância que atua na redução dos níveis de colesterol e triglicérides no sangue. 

Estudo

Atualmente, o nutricionista é aluno de mestrado pelo programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, da Faculdade de Medicina (Famed) da UFU, na área da nutrição clínica e esportiva.

A publicação sobre o estudo do açaí aconteceu quando o pesquisador encontrava-se na graduação e serviu como motivador para a produção de mais publicações com artigos de revisões de literatura.

“Assim, esperamos novos artigos, porque o açaí é algo regional, do Brasil, e não é tão estudado mundialmente. Sabemos que é complicado fazer uma pesquisa de intervenção bem feita aqui no país, por conta da demanda de dinheiro, principalmente em cidades que não são capitais”, afirma Santos.

Mini-entrevista com o especialista

Natália de Carvalho Teixeira, doutora em Ciência de Alimentos e coordenadora do curso de Nutrição das Faculdades Kennedy, em BH, explica por quê o açúcar faz tanto mal 

O consumo excessivo de açúcar é diretamente relacionado à grande epidemia de obesidade que acomete nossa sociedade na atualidade. O açúcar é um tipo de carboidrato, que é nossa fonte de energia. No entanto, o seu consumo excessivo é armazenado em forma de gordura, de onde vem a obesidade. 

Quanto mais simples for o carboidrato, mais facilmente ele vai ser digerido, absorvido e armazenado pelo organismo. Os açúcares são os tipos de carboidrato mais simples que a gente tem.

O consumo excessivo de açúcar pode estar relacionado não só à obesidade, que é uma doença, como também a outras comorbidades relacionadas a ela, como diabetes, hipertensão, alteração do colesterol, além de problemas de locomoação, dores nas atirculações, entre outros.

Vale a pena ressaltar, também, que esse consumo de açúcar não se dá somente através do consumo de açúcar proprieamente dito. O problema não é só o açúcar que a gente usa para adoçar o café ou o suco.

O grande problema é que a maioria dos alimentos industrializados (e a gente consome muitos alimentos industrializados) são muito ricos em açúcar adicionado. 
Então, biscoitos, pães, bolos, barras de cereal, em geral, têm como primeiro ou como um dos primeiros ingredientes, o açúcar. Os primeiros ingredientes presentes no rótulo são aqueles que estão em maior quantidade no alimento.

Além desses alimentos, a gente pode lembrar dos refrigerantes, que são bebidas extremamente açúcaradas e que, geralmente, não trazem nenhum outro nutriente para o nosso organismo. É o que gente chama de calorias vazias.