Uma pesquisa conjunta alertou, nesta quarta-feira (7), para a possibilidade de circulação de uma nova variante de SARS-CoV-2 (vírus causador da Covid-19) em Belo Horizonte. A conclusão vem após a análise de 85 genomas de amostras coletadas na cidade e em municípios da região metropolitana. O material foi analisado nos laboratórios da UFMG, do Hermes Pardini e da prefeitura da capital.

De acordo com o estudo, após o sequenciamento, foram identificados dois novos genomas com mutações que ainda não haviam sido encontradas. Esse material, conforme a pesquisa, estava em amostras referentes aos dias 27 e 28 de fevereiro deste ano.

"Não existem evidências de ligação epidemiológica entre ambas, como parentesco ou região residencial, o que reforça a plausibilidade de circulação desta nova possível variante", informou os pesquisadores, em nota. Ao todo, foram investigadas amostras do período entre outubro do ano passado e 15 de março de 2021, coletadas em exames RT-PCR realizados pelos laboratórios parceiros.

A investigação é realizada com a atuação conjunta entre o Laboratório de Biologia Integrativa do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, juntamente com o Setor de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Pardini, em colaboração com o Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ e a Prefeitura de Belo Horizonte.

A pesquisa

Após o sequenciamento dos 85 genomas de SARS-CoV-2 de amostras clínicas coletadas em BH e região, os resultados demonstram um aumento progressivo das chamadas variantes de preocupação de SARS-CoV-2, sendo elas: P.1, P.2 e B.1.1.7.

Segundo os estudiosos, foram encontradas as seguintes linhagens: P.1 (30 amostras; 35,29%), P.2 (41 amostras; 48,23%), B.1.1.28 (8 amostras; 9,41%), B.1.1.7 (3 amostras; 3,53%), B.1.1.143 (1 amostra; 1,17%), B.1.235 (1 amostra; 1.17%) e B.1.1.94 (1 amostra; 1.17%).

O estudo reforça uma situação preocupante: as variantes P.1, P.2 e B.1.1.7 possuem mutações críticas no gene codificante da proteína de espícula viral (S), como E484K ou N501Y, envolvidas no aumento da transmissibilidade e no escape imunológico.

Além disso, a mutação N501Y, presente nas linhagens P.1 e B.1.1.7, foi recentemente associada ao aumento de aproximadamente 60% no risco de mortalidade em indivíduos infectados no Reino Unido.

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