O Movimento Tarifa Zero realizou uma uma pesquisa sobre a satisfação do passageiro com o transporte público durante a pandemia de Covid-19. O levantamento foi feito de forma virtual entre 20 de julho e 8 de agosto e foram aplicados 519 questionários, sendo que 432 pessoas usavam ônibus durante a pandemia.

De acordo com a pesquisa, 93% dos usuários reclamaram que andaram em veículos lotados durante a pandemia e 91% deles disseram ter esperado mais de 30 minutos por um ônibus. Já 80% dos passageiros afirmaram que os horários de partidas das linhas não estavam sendo respeitados.

A redução no quadro de horários dos ônibus no período foi criticada por 72% dos entrevistados.

A pesquisa mostrou ainda que apenas 26% dos ouvidos não sofreram mudança no trajeto durante a pandemia. Entre as justificativas estão o maior uso de aplicativos de transporte, opção por outras linhas de ônibus e maiores distâncias percorridas.

Em relação ao álcool em gel, 48,8% disseram que somente às vezes existia o produto dentro dos veículos e 31% falaram que nunca viram.

A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) informou que não teve acesso à metodologia científica da pesquisa, mas que monitora e fiscaliza todas as operações do sistema municipal e que equipamentos como GPS, câmeras e a contagem das roletas são usados para conferir o cumprimento dos horários e a lotação dos veículos.

"É feito também um acompanhamento diário do número de passageiros nas linhas do sistema de transporte, com base nos dados de passageiros registrados, ou seja, que passam pelas roletas dos ônibus, com objetivo de detectar passageiros em número acima da capacidade de transporte definida nos decretos vigentes"

Ainda segundo a BHTrans, no relatório do dia 21 de setembro, foram analisadas 7.414 viagens do sistema convencional , e foram constatadas 33 viagens  com lotação acima do permitido pelo decreto municipal, o que representa 0,4 % do número total de viagens. Esta avaliação também é feita para as linhas do sistema MOVE nas Estações de Integração, transferência e em pontos estratégicos da cidade. Todas as viagens com número de passageiros superior à capacidade estão passíveis de multas. 

Desde o início do isolamento social, a empresa aplicou 12.364 autuações aos consórcios por descumprimento das medidas voltadas à prevenção da disseminação da epidemia de Covid-19 no transporte público.