A lama que vazou da barragem de rejeitos de minério da Samarco em Mariana e desceu o rio Doce matando pessoas e o manancial poderá ser reaproveitada. A proposta de um pesquisador da Universidade Vale do Rio Doce (Univale) em Governador Valadares é coletar a massa (lodo) que resulta da decantação da lama após o tratamento da água e transformá-la em materiais usados pela construcao civil como bloquetes, telhas e ceramicas.

A captação de água no rio Doce foi suspensa dia 8 de novembro, tres dias após o acidente em Mariana e retomada pelo Servico Autônomo de Água e Esgoto (Saae) no dia 15 deste mês com o uso do coagulante polímero de acácia negra. O material e organico e separa a lama da água. Os rejeitos dessa decantacao estavam sendo devolvidos para o rio ate que na segunda-feira (23) o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) proibiu o descarte no manancial.

Foi ai que o professor Hernani Ciro Santana, coordenador dos curso de Engenharia Civil e Ambiental da Univale, teve a ideia de reaproveitar esse material para a construção de artefatos para a construção civil, em especial blocos de alvenaria para pavimentação e construção sustentável. Como os blocos não seriam queimados, a producao dispensaria fornos e grandes investimentos. Com o reaproveitamento, areia e brita são economizadas.

“E de quebra, resolveriamos um problema ambiental”, explica. A inspiração do professor valadarense veio de uma experiencia de sucesso da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) que ja utiliza rejeitos das mineradoras para a construção de bloquetes, mas retirando a lama diretamente das barragens. Em Governador Valadares, ela viria das Estacoes de Tratamento (ETAS) do Saae. “Vamos apresentar essa proposta ao Saae e pedir liberacao e apoio para a execução da pesquisa e projeto”, diz.

Embora nao saiba qual e a quantidade de lama produzida, Santana acredita que bloquetes, telhas e ceramicas poderao ser feitos com o reaproveitamento da lama oriunda da ETA central de Governador Valadares, a maior cidade margeada pelo rio Doce, com 280 mil habitantes, e tambem a que provavelmente produz mais lodo. “‘Tudo vai depender das analises fisico-quimicas desse material e das parcerias que poderemos firmar”, explica.

QUANTIDADE

A direcao do SAAE informou, por meio de sua assessoria, que não sabe a quantidade de lama produzida por dia. Disse ainda que fizeram uma limpeza e só quando pararem as maquinas para limpar pela segunda vez é que devem ter esse dimensionamento. A autarquia informou tambem que está contratando uma empresa especializada em tratamento de lama de ETAS para providenciar a retirada, tratamento e destinação final dessa lama.