Nada menos do que 1,7 milhão de adolescentes brasileiros de 15 a 17 anos está fora das salas de aula, segundo relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Dentre os fatores que mais contribuem para a evasão escolar, estão violência, gravidez na adolescência, renda familiar e distância entre escolas e comunidades.

O estudo, intitulado “10 Desafios do Ensino Médio no Brasil”, foi apresentado na última quarta-feira (11) durante abertura do seminário “Ensino Médio no Brasil: sujeitos, tempos, espaços e saberes”, realizado pelo Observatório da Juventude da UFMG, parceiro do Unicef no levantamento. A rodada de debates segue até esta sexta-feira (13).

Segundo o coordenador do programa Cidadania dos Adolescentes do Unicef, Mario Volpi, a importância maior dos dez desafios levantados é a correlação que existe entre eles. “Acho que o país fez muitos projetos que tentaram focar mais nesse ou naquele público, mas a política de educação precisa ser integral, unindo diferentes temas que fazem parte dela”, destaca Volpi.

Diferencial

A pesquisa divulgada aqui também foi realizada em outros 23 países. Brasil, Indonésia, México e Turquia tiveram um diferencial: além do levantamento quantitativo, utilizando bases de dados locais, foram formados 25 grupos focais e realizadas 51 entrevistas em profundidade.

No total, 250 adolescentes fizeram parte do estudo em Belo Horizonte e Santana do Riacho, em Minas; Brasília, Belém, Fortaleza e São Paulo, entre outubro e dezembro de 2012 e entre maio e novembro de 2013. Os dados separados por cidade não foram divulgados.

“Ficamos muito tempo sem escutar os alunos. Sem colocá-los nesse processo de aprendizagem como um ator importante, não vamos ter resultados significativos”, avalia o coordenador.

Com os principais desafios compilados, o Unicef, junto ao Ministério da Educação (MEC), vai apoiar municípios brasileiros na elaboração dos planos educacionais regionais.

Falhas identificadas

Para o coordenador do Observatório da Juventude, professor Juarez Dayrell, a reunião dos dez aspectos mais críticos levantados no estudo será o norteador da mudança da qualidade da educação brasileira. Segundo ele, um erro comum que vinha sendo cometido era a individualização dos problemas.

“É difícil definir o (desafio) mais importante, porque acho que eles são um conjunto de fatores que se articulam. Inclusive, grande parte da não-superação dos desafios deve-se ao fato de, historicamente, tratá-los de forma isolada”.