O uso excessivo de sal de cozinha (NaCl) ativa células inflamatórias no sistema de defesa do intestino e piora quadros de doenças graves. O pior de tudo: sem, necessariamente, apresentar sintomas. A conclusão é de um estudo de doutorado concluído em agosto na Universidade Federal de Minas Gerais.

De acordo com a pesquisa da nutricionista Sarah Leão Fiorini de Aguiar, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), a dieta dos brasileiros é composta por, pelo menos, duas vezes mais sal do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. Dessa forma, os riscos de problemas são grandes.

Dentre eles, estão a doença de Crohn e a colite ulcerativa, males agrupados na categoria de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII). Em ambos os casos, a inflamação pode vir sem sintomas ou surgir repentinamente. Segundo especialistas, a reação é diferente em cada pessoa.

Geralmente, o portador sofre com diarreia, cólica abdominal, febre e, em alguns casos, sangramento retal. Em quadros mais graves, pode ocorrer perda de apetite e de peso.

A pesquisa

De acordo com a orientadora do trabalho, professora Ana Maria Caetano de Faria, camundongos submetidos por três semanas à dieta rica em sal apresentaram inflamação no cólon do intestino. O teor testado foi semelhante ao padrão de consumo da população brasileira. 

“Os resultados obtidos em nosso estudo representam um alerta para os efeitos inflamatórios na mucosa intestinal provenientes do consumo em excesso desse componente dietético essencial”, explicou Sarah Aguiar. A doutora também lembrou que, em pessoas com predisposição genética, esse pode ser um gatilho para o início ou o agravamento de doenças inflamatórias intestinais.

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