A Polícia Federal (PF) realizou nesta quarta-feira (21) buscas em empresas de auditoria contratadas pela Vale para atestar a segurança de suas barragens. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, sendo dois deles em Belo Horizonte e dois na cidade de São Paulo, e, também, um mandado de busca pessoal, cumprido também na capital paulista. 

Conforme nota divulgada pela corporação, os mandados judiciais, expedidos pela Justiça Federal e que foram cumpridos na parte da manhã, são do "interesse do inquérito policial que apura o rompimento da barragem B1, de Brumadinho". 

Quatro dias após o rompimento da barragem, que deixou 171 pessoas mortas e outras 139 que continuam desaparecidas no dia 25 de janeiro deste ano, a Polícia Federal prendeu cinco engenheiros que prestaram serviço para a Vale e que atestaram a segurança da barragem que se rompeu em Córrego do Feijão. Na época, foi também a Justiça Federal que determinou as prisões, que foram cumpridas em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e, assim como nas buscas realizadas nesta quinta, na cidade de São Paulo. 

Após uma semana detidos, os dois funcionários da empresa alemã Tüv Süd e três funcionários da mineradora Vale conseguiram um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma vez que, segundo os ministros, não existiam "fundamentos legais que justificassem a prisão temporária dos presos".

Oito presos

Além da PF, a Polícia Civil (PC) e o Ministério Público de minas Gerais (MPMG) também investigam o rompimento da barragem em Brumadinho. No dia 15 de janeiro, oito pessoas foram detidas durante uma operação em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. Entre os presos estão um empregado responsável pelo monitoramento e manutenção da barragem 1 do Complexo da Mina Córrego do Feijão, e uma gerente de dados corporativos da Vale, que era também uma das interlocutoras com a empresa Tüv Süd.

Por meio da análise de e-mails trocados entre agentes da mineradora e da empresa de auditoria, os investigadores levantaram a hipótese de que haveria um “esquema patrocinado pela Vale, no sentido de maquiar dados técnicos, externalizando, falsamente, a situação de normalidade (…) possibilitando que a situação de risco da barragem fosse perpetuada”.

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