Um policial militar foi detido após atirar em um adolescente de 17 anos que teria se negado a obedecer ordens e sacado uma arma em uma abordagem, na noite do último sábado (19), em Santa Juliana, no Triângulo Mineiro. 

De acordo com a PM, os militares faziam patrulhamento preventivo no bairro Palmeiras, por volta das 22h15, quando avistaram um adolescente em uma bicicleta. O garoto teria modificado seu comportamento e passado a olhar por diversas vezes para a equipe policial, demonstrando nervosismo - situação que levou à abordagem do mesmo. 

Ao ser interrogado, o jovem obedeceu à ordem de parada e iniciou caminhada sentido a um muro da rua Miguel Árabe. No entanto, enquanto se dirigia ao local, segundo relato policial, o adolescente tentou levar a mão à região da cintura. Ele recebeu nova ordem, para que levantasse a camisa, quando o policial identificou então uma arma. Em seguida, o rapaz iniciou o movimento para levar a mão direita à arma de fogo, segundo a PM. 

Nesse momento, ele recebeu nova ordem, segundo a PM, "em alto e bom tom", para que largasse a arma e colocasse as mãos na cabeça, o que não foi acatado. O abordado teria continuado a sacar a arma, chegando a retirá-la da cintura. O policial repetiu a ordem e, diante da negativa, deu dois tiros no adolescente. 

O jovem foi atingido no peito e no antebraço esquerdo, vindo a cair próximo à bicicleta. De acordo com a PM, foi solicitado atendimento médico imediato ao adolescente, que foi levado para um hospital de pronto-socorro na viatura policial. 

Segundo a PM, o atingido chegou ao hospital com vida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Ainda de acordo com a polícia, uma testemunha viu a abordagem policial e confirmou o fato. 
 
O local do assassinato foi isolado e periciado. A arma do PM foi recolhida e o policial militar, de 32 anos, foi detido.

Policial é detido

De acordo com a Polícia Militar, um policial somente atira contra um civil quando esse último ameaça a vida do militar ou de terceiros. Trata-se de uma defesa e a letalidade é, portanto, uma consequência. Por isso, segundo a PM, é importante explicar que o policial militar não mata: ele se defende ou defende terceiros. 

No caso reportado, a PM explicou que faz parte de seu procedimento padrão, que segue o Código Penal, a detenção de um policial que atirou contra um civil. O profissional fica detido no quartel (ele não é levado para uma cela com outros prisioneiros) à espera da autorização para soltura, que só pode ser dada por um juiz. Em fins de semana, o juiz de plantão é o responsável pelo fato.