Ocorrências de brigas e agressões na saída de boates têm mobilizado cada vez mais a Polícia Militar em Belo Horizonte, que já chegou a ser acionada mais de dez vezes para um mesmo local. Principalmente no fim de semana, a corporação é sobrecarregada pelas chamadas que estão relacionadas, na maioria das vezes, com o uso excessivo de álcool. Para tentar minimizar o problema, os militares estão chamando os donos desses estabelecimentos e organizadores de eventos para discutir medidas de prevenção.

“Estamos nos reunindo com os proprietários porque acreditamos que há necessidade de envolvimento deles na adoção de práticas que podem ajudar, como o esclarecimento para os frequentadores sobre questões de segurança e uso moderado de bebida. É importante que todos participem nessa prevenção para evitar que algo mais grave”, afirma o chefe da Sala de Imprensa da PM, capitão Flávio Santiago.

Uma das características discutidas nesses encontros, e que tem chamado a atenção da polícia, é a ocorrência de brigas em festas com bebida liberada. “A maioria dos casos de agressão em saída de boate é permeada pelo uso imoderado de bebida alcoólica. Infelizmente muitos estabelecimentos adotam a bandeira de bebida à vontade. O álcool faz com que o indivíduo perca a sua capacidade racional”, ressalta o oficial.

Polícia não tem dados sobre chamadas para casos de brigas porque, em muitos deles, não são feitos os registros por causa da dispersão dos envolvidos

Na maioria das vezes, os casos são registrados como lesões corporais. Na capital são atendidas em média 13 ocorrências desse tipo por dia, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública. Entretanto, não é possível precisar quantas dessas lesões corporais foram provocadas por brigas na saída de casas noturnas.

Alerta

Algumas vezes, as confusões terminam em casos mais graves como o que ocorreu na madrugada de ontem com um universitário de 19 anos. O rapaz tinha saído de uma boate na região Centro-Sul de BH quando foi agredido por dois homens ainda não identificados. 

O jovem foi ajudado por um guardador de carros que interveio na situação e acabou impedindo que as agressões continuassem. Ele foi socorrido inconsciente para o Hospital João 23. A previsão era a de que ele ainda recebesse alta médica ontem.

“Foi a primeira vez que ele tinha ido nesse local, já que não costuma sair muito e é bem pacífico. Isso é um alerta para a necessidade de cuidado para esse tipo de situação. Qualquer pessoa pode estar exposta a isso. O que espero é que a polícia esclareça o que aconteceu”, afirma o pai do universitário, que preferiu não se identificar.

Brutalidade

Outra família que aguarda esclarecimentos é a do estudante de medicina Henrique Papini, de 22 anos, espancado na saída de uma boate na região Oeste de BH há pouco mais de um mês. Ao contrário do caso de ontem, os agressores do jovem já foram identificados e pelo menos dois deles devem ser indiciados por tentativa de homicídio.

“Estamos confiantes que os responsáveis por esse absurdo vão pagar pelo crime. Não sei como um ser humano pode fazer isso com o outro, que não fez nada, nem sequer reagiu. Eles estavam ali brincando de matar, como se faz nos jogos de computador”, desabafou a mãe de Henrique, Andréa Rennó de Figueiredo Moraes, de 54 anos.

Na última segunda-feira, a Polícia Civil cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na casa dos envolvidos no crime, agora tratado como tentativa de homicídio, além de duas conduções coercitivas. O principal suspeito, Rafael Batista Bicalho, de 19 anos, teria assumido em depoimento ter dado apenas um chute na vítima. Os investigadores ainda trabalham com a hipótese de que Thiago Mota Vaz Rodrigues e Rafael Bicalho participaram diretamente das agressões. Os demais teriam envolvimento indireto.