A estratégia de policiamento na Praça da Estação e no entorno, em BH, será modificada pela Polícia Militar (PM) no Carnaval de 2020. No local, três mulheres foram estupradas e uma morreu durante a folia – as causas do óbito, que pode ter sido por estrangulamento, ainda são investigadas. Houve também casos de vandalismo, furtos e roubos, principalmente nas dispersões, à noite e de madrugada.

Apesar dos dois assassinatos que ocorreram no feriadão, além de dois turistas franceses esfaqueados e três pessoas baleadas, a PM acredita que os casos são “extremamente pontuais” e que, pelo volume de turistas, a sensação foi de segurança.

A afirmação é do capitão Cristiano Araújo, assessor de imprensa da corporação. Para ele, as ocorrências registradas este ano já indicam que, em 2020, há a necessidade de mudanças na segurança da região central da cidade, principalmente na área próxima à Praça da Estação.

Duas mortes no feriado, dois turistas franceses esfaqueados, três pessoas baleadas e três estupros foram classificados pela PM como ocorrências “extremamente pontuais” no contexto de uma festa de rua com 4,6 milhões de pessoas

“Sem dúvidas, tanto a quantidade quanto a gravidade das ocorrências foi maior por lá. Isso evidencia a necessidade mais ativa de atuação policial, principalmente nas dispersões dos foliões”, afirmou. “Mas é impossível a PM estar em todo lugar. São 4,6 milhões de foliões e mais de 500 blocos desfilando”, completou.

Mas quem curtiu o festa de Momo no Centro de BH acha que o efetivo precisa ser maior. “Faltou policiamento, principalmente na madrugada. E a sensação foi de insegurança na volta para casa”, afirmou o estudante Lucas Pacheco Oliveira, de 19 anos.

Nesta quinta-feira (7), às 10h, a PM vai divulgar o balanço de ocorrências neste Carnaval.

Segundo o capitão Cristiano Araújo, o mapeamento vai balizar mudanças no policiamento em 2020. “Esses casos são usados para novos planejamentos. Identificamos as causas porque a polícia trabalha, principalmente, com a prevenção. Nós mantemos o que já deu certo e trabalhamos para melhorar o que não deu”, disse.

Até domingo, quatro blocos desfilam na área central, reunindo, juntos, mais de 20 mil foliões

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Como exemplo de acerto, o militar apontou o uso de tecnologias como monitoramento por drones e câmeras do Olho Vivo. “As aeronaves agregaram muito. O equipamento com capacidade de três quilômetros de zoom conseguiu contribuir para que as abordagens de solo fossem mais efetivas. Para o ano que vem, essa tecnologia pode ser aprimorada e ampliada. A vigilância é um fato inibidor”, disse.

As imagens das câmeras de segurança devem ser usadas, segundo a Polícia Civil, para tentar desvendar a morte da mulher, de cerca de 30 anos, na Praça da Estação, na noite de terça-feira. Até ontem, ela não havia sido identificada e as causas do óbito não foram esclarecidas pelo Instituto Médico-Legal (IML) da capital.

Procurada, a Belotur não comentou sobre os casos de violência ou a necessidade de reforço do policiamento na folia.

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