PMDB/MG ataca Dilma às vésperas do 1º teste do ano

Orion Teixeira / 16/02/2016 - 08h18

Às vésperas da primeira disputa política do ano entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o seu algoz, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), para eleger o líder do maior partido aliado do governo, o PMDB mineiro agiu como oposição, atacando duramente a gestão petista. O encontro que o vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, realizou nesta segunda-feira (15), em Belo Horizonte, para legitimar sua reeleição ao comando partidário, foi mais um palanque contra do que a favor da presidente.

Houve críticas contundentes, que nem mesmo a oposição ousou fazer, tachando os petistas de “ladrões” e o governo de “podre”. Os ataques partiram do ex-governador Newton Cardoso e do presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM) e prefeito de Pará de Minas, Antônio Júlio (PMDB), duas lideranças de fora das bancadas parlamentares estadual e federal.

Tão grave quanto isso foi a omissão do vice-presidente e de três ex-ministros do governo Dilma – Antônio Andrade, atual vice-governador de Minas e ex-ministro da Agricultura; Elizeu Padilha e Wellington Moreira Franco, ambos foram ministros da Avião Civil. Nenhum deles fez a defesa da presidente Dilma no momento em que o governo busca abrir o ano com apoio político para enterrar a ameaça de impeachment e debelar a crise econômica.

Amanhã, acontece em Brasília a eleição do líder do PMDB na Câmara. O candidato governista, Leonardo Picciani (RJ), vai disputar com Hugo Motta (PB), que é apoiado por Eduardo Cunha. A vitória de Picciani representaria derrota de Cunha e do pedido de impeachment da presidente.

Ainda no encontro, Temer e aliados criticaram o desprezo com que o PMDB e suas teses são tratados pelo governo petista na economia e até mesmo em campanhas contra a ameaça do zika vírus. Sem assumir a defesa do governo, eles ignoraram a instabilidade política atual e vincularam a possível chegada do partido ao poder às eleições de 2018.

O que ficou claro nessa reunião é que o PMDB mineiro, por omissão ou crítica, apoia incondicionalmente a reeleição de Temer e que está insatisfeito com Dilma. Já com relação ao governador Fernando Pimentel (PT), não manifestaram reclamações, embora tenha sido marcado para esta terça (16) reunião entre o vice-governador e a bancada estadual do partido.

Pacto de sangue

“Onde corre o sangue de Temer, o PMDB de Minas empoça”. A estranha frase foi dita pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Adalclever Lopes, uma das principais lideranças do PMDB mineiro e filho do deputado federal Mauro Lopes, que, pela harmonia do encontro, deverá ser reeleito secretário-geral do partido na chapa de Temer.

Lançamento de pré-candidatos

Como presidente estadual do PMDB, Antonio Andrade disse, durante o encontro, que o seu partido terá candidato a prefeito em municípios com mais de 200 mil eleitores. Por isso, lançou os deputados Ivair Nogueira (estadual) a prefeito de Betim e Newton Cardoso Jr. (federal) a prefeito de Contagem. De Belo Horizonte, nada disse, apesar da presença dos pré-candidatos Leonardo Quintão (deputado federal) e de Sávio Souza Cruz (secretário do Meio Ambiente de Minas).
 

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