A Polícia Civil abriu inquérito para apurar em que circunstâncias o autor do massacre de Paracatu, na região Noroeste de Minas, conseguiu um bisturi dentro do Hospital Municipal da cidade para tentar tirar a própria vida. Com uma lâmina de 43x7 mm, Rudson Aragão Guimarães, de 39 anos, perfurou diversas vezes o pescoço.

No momento da tentativa de suicídio, ele estava com escolta da Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap). O caso aconteceu na manhã de quinta-feira (23) e, no mesmo dia, a Polícia Civil determinou uma nova investigação para apurar a ocorrência. A corporação já havia aberto um inquérito na quarta-feira (22) para apurar o que levou o militar reformado das Forças Armadas a matar a ex-namorada e a invadir um templo evangélico da cidade e assassinar outras três pessoas.

Por segurança, a Polícia Civil informou que não dará detalhes do caso, como, por exemplo, quando o atirador prestará depoimento e para onde ele irá depois de receber alta do hospital. "A investigação já está em curso, mas por resguardo e para não comprometer as duas investigações, não iremos divulgar informações sobre os inquéritos", informou a polícia. 

Medo

Após a tentativa de suicídio, a direção do hospital pediu para o sistema prisional a transferência do atirador para outra unidade de saúde. A expectativa, contudo, é que Rudson receba alta nos próximos dias. "A questão da alta está sendo avaliada junto com a Seap', revelou o diretor do hospital, Marcelo Otávio. Ele também optou por não revelar a data em que o homem deixará o hospital, já que o "caso ganhou muito repercussão e gerou grande comoção". 

Depois de desferir golpes do próprio pescoço, Rusdon sangrou muito e precisou ser sedado. O quadro clínico dele, no entanto, já está estável. Além do Hospital Municipal de Paracatu, a Seap também abriu inquérito para apurar o caso. "Sobre o ocorrido, informamos que foi instaurado pela direção da unidade prisional um procedimento interno para apurar administrativamente o fato. As investigações criminais são de responsabilidade da Polícia Civil", informou a pasta.

Descontrole

Segundo familiares do atirador, Rudson estava desempregado há vários meses. Além disso, ele teve depressão e dependência química. Para sair dessa situação, a família sugeriu que ele passasse a frequentar a Igreja Batista Shalom. Segundo familiares, ele ficou bem por 10 meses, mas depois desentendimentos entre ele e os integrantes da igreja começaram a surgir. 

Após um período de atritos, o homem foi afastado da liderança de um grupo de oração e também excluído de um grupo de WhatsApp. No dia do ataque, ele ateou fogo em uma cama e em um colchão em frente à casa em que morava com a mãe.

O massacre

Na noite de terça-feira (21), Rudson matou a ex-namorada, Heloísa Vieira de Andrade, de 59 anos, e outras três pessoas. Antes de invadir a igreja, ele foi até a casa da própria mãe e esfaqueou a ex-companheira. Em seguida, portando uma garrucha de calibre 36, o militar entrou em uma igreja evangélica localizada ao lado da residência, no bairro Bela Vista. 

Lá ele matou Antônio Rama, de 67 anos, pai do pastor do templo, e duas frequentadoras da igreja, Marilene Martinho de Melo Neto, de 52 anos, e Rosângela Albernaz, de 50. Policiais que faziam o patrulhamento ouviram os tiros e chegaram ao local rapidamente, exigindo que o homem largasse a arma. De frente para os policiais, ele logo fez uma mulher de refém e, em meio à negociação, atirou na última vítima. Em seguida, um policial atirou na clavícula do suspeito, que recebeu atendimento médico e foi levado para o hospital da cidade.

O pastor da igreja, que seria o principal alvo do atirador segundo informações não oficiais, fraturou o pé enquanto fugia do atirador.

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