Latas de tinta, rolos para pintura, spray, cordas para rapel, cadernos, celulares e camisetas com referência à gangues de pichadores foram apreendidos na manhã desta quinta-feira (25), durante a segunda fase da operação Muro Limpo, na Grande BH. Pelo menos três associações criminosas já foram mapeadas pela polícia. Só na capital mineira, os danos patrimoniais e ambientais geram prejuízos de R$ 1,5 milhão.

Os delitos começaram a ser apurados há cerca de seis meses, pela Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Contra o Meio Ambientes da Polícia Civil, com o apoio da Guarda Municipal. A ação foi desencadeada a partir da apuração de uma pichação no muro da Divisão de Transportes da própria Polícia Civil. 

"A partir daí começamos a fazer um mapeamento das associações criminosas que estariam envolvidas não só naquela pichação, mas em várias outras ocorrência em BH. Trata-se de uma investigação complexa que exige a análise de vínculo para poder fazer a responsabilidade devida no caso", esclarece o delegado Eduardo Vieira Figueiredo. 

A operação, deflagrada nesta quinta, cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, além de outros três em Contagem, Esmeraldas e Ribeirão das Neves. Um homem, suspeito de envolvimento com as pichações, chegou a ser levado para a delegacia por uso de droga, mas não permaneceu detido.

Ainda de acordo com o delegado, os grupos investigados não são rivais e os membros das três gangues identificadas se comunicam constantemente para combinar o local onde irão praticar os delitos. “O que eles querem é o status de fazer marcação na edificação maior e mais alta. Eles querem visibilidade”, explica.

Com idades entre 20 e 30 anos, os investigados fazem parte de várias classes sociais. “Estivemos em uma cobertura de alto luxo na região da Savassi e em uma residência simples no Aglomerado da Serra (Sul)”, frisou o policial. No quarto de um dos jovens, de 24, no bairro Universitários, na Pampulha, foi encontrada uma pequena porção de maconha.

Ainda conforme a corporação, alguns dos investigados têm passagens criminais por uso de drogas e porte de arma de fogo. 

Crime

Pelo Código Penal, o condenado pela prática de pichação pode pegar até um ano de cadeia. Porém, com os agravantes de dano qualificado, em caso de degradação de bens públicos, e associação criminosa, pode chegar a seis anos de detenção.

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